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Zombie Planet | Os Vivos Estão Mortos Parte III (Temporada II/Capítulo V)




T II - V
Os Vivos Estão Mortos - Parte III

Ver Vinicius Viduolis entrando pela porta chocou Mathias e seus amigos. Todos pensavam que a essa altura o jovem ator estaria morto, por tê-los abandonado após o acidente de carro que matou Jorge e deixou Tiago ferido.

Estático Mathias não acreditava se o que via era realidade e permaneceu abraçado com Cíntia observando fixamente o rapaz que ficou parado na porta com a outra moça parada ao seu lado.

- O que ele está fazendo aqui? – perguntou Mathias soltando Cíntia.

Márcia e Cadu reconheceram o famoso ator e se recordaram das histórias contadas por Mathias e tudo que Vinicius havia feito com eles. Cíntia ao contrario dos outros parecia radiante e contente por sua família conhecer a pessoa que a salvou quando fugiu do prédio.

- Esse é o Vinicius Viduolis, vocês com certeza o conhecem da TV – dizia Cíntia com um sorriso no rosto – e essa é a Larissa, namorada dele – apontava para a garota ao lado do ator – eles me ajudaram a chegar aqui.

No momento que Cíntia disse que a garota era namorada de Vinicius, Naiara sentiu um tremor por dentro, sentindo uma vontade repentina de correr em direção ao rapaz e dar uma surra nele por tudo que já aprontou e ainda mais com essa novidade desagradável.

Percebendo a reação de Naiara, Rafael a abraçou levemente na esperança de confortá-la e não deixar transparecer a decepção que sentia. Obviamente muita coisa deveria ser esclarecida, mas aquele não era o momento para isso e o que deveria focar era como Cíntia havia conseguido sobreviver e como encontrou Vinicius causando essa enorme coincidência.

- Nós o conhecemos – dizia Mathias se direcionando a Cíntia – ele era nosso companheiro de viagem – concluiu.

Sem entender muito bem o que estava acontecendo, Cíntia olhou para Vinicius confusa com a situação. O jovem ator percebendo que não estava agradando seus antigos companheiros decidiu se explicar.

- Eu estava indo a encontro de Larissa quando esbarrei com Cíntia – explicava Vinicius – ela estava muito assustada e não dizia nada com nada. Quando se acalmou, ela contou sua história e logo deduzi que era a garota pela qual você – apontava para Mathias – havia se arriscado tanto para encontrar. Não disse nada a ela que o conhecia, porque fiquei com medo que ela achasse muita coincidência e desconfiasse que fosse mentira minha.

- Para de blá blá blá Vinicius – Mathias interrompia o ator – você abandonou o Tiago para morrer – o acusou recordando o acidente de carro – antes disso você deixou o Rafael e Naiara para trás na sua mansão – relembrava mais um ato negativo de Vinicius – como posso confiar em você? – questionava.

- Não viaja Mathias – rebatia Vinicius – como você pode achar que eu queria encontrar sua namorada de propósito em meio a tanto caos? – questionava apontando logicamente os fatos – foi pura coincidência e eu só queria encontrar a minha namorada – dizia apontando para Larissa.

- Nós nem sabíamos que você tinha uma namorada – apontava Mathias.

- Não quis dizer, pois tive medo de vocês não quererem me ajudar – Vinicius respondia cabisbaixo – já tinham o objetivo de vocês e mais um só iria atrapalhar.

- A gente não tinha nem como desconfiar, afinal... – Mathias iria revelar o caso que houve entre Vinicius e Naiara, mas não quis expor a amiga percebendo que Larissa não sabia de nada e isso só iria gerar mais confusão.

Vinicius se assustou percebendo que Mathias quase revelou a traição dele, mas também notou que o antigo companheiro recuou e não iria entregá-lo. No fundo ele sabia que Mathias era um bom rapaz e não faria nada que pudesse prejudicar seus amigos. Ele também sabia que o ex-contador não gostava dele, mas não iria se intrometer em seus assuntos se ele ficasse na dele.

- Esses casos de família estão muito divertidos – Marcos interrompeu ironicamente – mas têm coisas mais importantes a fazer e discutir – relembrava do plano de higienizar o prédio das criaturas que ainda estavam presas em alguns apartamentos.

- Não! – Mathias virou-se para Marcos – eu preciso entender o que houve.

- A única coisa que você tem que entender aqui é que o prédio tem vários andarilhos presos e enquanto eles estiverem aqui nós não estaremos seguros – Marcos contra bateu.

- Eu tenho que concordar com ele Mathias – dizia Márcia – eu estou muito feliz que minha filha tenha voltado – dizia abraçando Cíntia – e também estou muito confusa com tudo isso, mas temos que focar na limpeza do prédio.

O que eles pretendiam fazer novamente foi interrompido, dessa vez não era um acontecimento feliz e sim algo que já acontecia com frequência no edifício, mas que ninguém se metia.

Sara desceu as escadas correndo e chorando, esbarrando em Larissa e entrando pelo apartamento de Márcia.

- O que houve minha filha? – perguntou Márcia segurando Sara pelos ombros.

- Eu estou cansada dessa vida – respondia Sara chorando muito.

Não demorou e Alysson também entrou no apartamento cruzando Vinicius e Larissa. O rapaz estava visivelmente bêbado e tentou puxar Sara sem dar explicação a ninguém sobre o que estava acontecendo. Márcia não deixou que ele a levasse embora e Sara não se impôs do contrário permanecendo ao lado da mulher que a protegia.

- Vamos subir Sara, precisamos conversar – dizia Alysson.

- Sei que não vai ter conversa nenhuma – respondia Sara.

- Sara vamos embora – desta vez Alysson gritava com muita raiva.

Alysson estava transtornado e parecia outra pessoa, totalmente diferente do que Mathias e os outros haviam conhecido. Violento ele avançou sobre Márcia para tentar puxar Sara novamente, Cadu interveio e impediu que o rapaz chegasse perto delas.

- Não se metam nisso, não é da conta de vocês – esbravejava Alysson.

- Não toque na minha mãe – retrucou Cadu.

Perdendo a paciência Alysson deu um soco em Cadu e a confusão se instalou. Assustada Márcia afastou Sara e tentou proteger o filho, mas Alysson a empurrou fazendo com que a mulher caísse. Marcos tentou intervir para controlar Alysson que estava fora de si. Percebendo o jovem correu para cozinha pegando uma faca para tentar se proteger.

- Sara vamos sair daqui – Alysson tentava ordenar que sua mulher fosse com ele – tudo é culpa sua – acusava.

Marcos recuou e ao mesmo tempo tentava acalmar Alysson, mas o homem não o ouvia. Ele olhava com expressão de raiva para todos que estavam ali e ninguém queria tentar impedi-lo com medo de se machucar. Sara temia que alguém se ferisse com a fúria do marido e estava prestes a se entregar e aceitar seu destino nas mãos de Alysson, quando notou Vinicius caminhando lentamente em direção ao rapaz.

- Solta essa faca – disse Vinicius lentamente apontando uma arma para Alysson.

Todos se assustaram ao ver Vinicius armado e temiam pelo pior. Alysson não se intimidou ao ser ameaçado por Vinicius e riu ironicamente do jovem ator.

- Um mauricinho como você nem deve saber usar isso – Alysson ironizava.

- Você não me conhece e eu não quero fazer isso – respondeu Vinicius.

Alysson começou a se abaixar lentamente mostrando que estava se entregando e que deixaria a faca no chão. Ao colocar o objeto sobre o chão, Vinicius também abaixou a arma tirando a mira sobre Alysson e era tudo o que ele  esperava, pois sem pensar duas vezes correu em direção a Vinicius para tentar pegar a arma dele. Com o susto e relance Vinicius mirou novamente, mas Alysson já estava sobre ele, iniciando uma luta para quem ficaria em posse da arma. As mãos deles estavam entrelaçadas e o revolver seguia na direção de todos dentro do apartamento que tentavam se proteger de alguma forma.

O inevitável aconteceu e dois disparos foram dados, fazendo com que os dois parassem ao ouvir o grito de Márcia. A mulher estava ao lado de Cadu que foi atingido de raspão por um dos disparos. O som de um corpo caindo no chão fez com que todos voltassem o olhar para Sara que caía morta com um tiro certeiro na testa.

- Não! – gritou Alysson correndo em direção a sua esposa – eu não queria que isso acontecesse.

Por um breve momento o silêncio tomou conta da sala e só podia-se ouvir o choro de Alysson e Márcia. Mesmo preocupada com o ferimento do irmão Cíntia tentava transparecer solidez para cuidar de Cadu que começava a sangrar muito.

- Vamos levá-lo para o quarto – Cíntia pedia ajuda para Mathias. Rafael também logo se prontificou.  Enquanto os dois carregavam Cadu para dentro do quarto acompanhados de Márcia e Cíntia, Marcos caminhava em direção a Alysson pegando o rapaz pelo colarinho.

- Satisfeito com a merda que você fez – questionava.

- Eu não queria isso, eu a amava – respondia Alysson.

- Você é louco e por sua culpa ela está morta agora – Marcos acusava sem piedade alguma – Lucas e Júlio levem esse idiota lá pra cima que vamos decidir o que vamos fazer com ele.

Os dois atenderam de prontidão a ordem de Marcos puxando Alysson que não resistia. O sindico do edifício foi até Henrique e cochichou algo em seu ouvido. Logo os dois voltaram e pegaram o corpo de Sara retirando do apartamento. Eles levaram o corpo da mulher até o terraço onde lá de cima jogaram em direção a rua atrás do edifício para não terem que aparecer na entrada principal atraindo mais andarilhos.

- O que você vai fazer agora? – perguntou Henrique.

- Bom. Primeiro tenho que decidir o que farei com o Alysson – respondia Marcos – pelo horário acho melhor deixarmos a limpeza para amanhã e rezar para que nada aconteça até lá – concluiu.

Marcos pediu para que Henrique avisasse os que estavam no apartamento de Márcia sobre sua decisão e foi isto que o rapaz fez. Após isso ele e seu namorado Flávio mostraram alguns apartamentos que estavam vazios no mesmo andar para que os recém chegados pudessem se acomodar sem grandes preocupações.

Cíntia havia conseguido controlar o sangramento do irmão e agora todos estavam mais calmos, respirando tranquilamente. Só restavam no apartamento de Márcia, Rafael e Naiara que tentavam limpar a sujeira causada pelos ferimentos de Cadu e Sara.

Tiago havia sido levado pelo casal para o apartamento ao lado para poder descansar e se recuperar do acidente. No mesmo apartamento Isabel havia se instalado e prometeu que cuidaria de Tiago caso alguma coisa acontecesse, enquanto Vinicius e Larissa estavam no apartamento da frente.

Márcia não queria desgrudar do filho, informando que ficaria ali a noite toda se necessário para garantir que nada acontecesse a ele. A adrenalina ainda era presente naqueles que permaneciam no apartamento. Todos os últimos acontecimentos foram rápidos e nem havia tido tempo hábil para assimilar tudo. A invasão do edifício, todas as vidas perdidas, a chegada de Mathias e seu grupo, o retorno de Cíntia com Vinicius e por fim a morte de Sara e o acidente com Cadu.

Os grunhidos de alguns andarilhos que estavam no prédio incomodavam, pois dava a sensação que eles estavam inseguros, porém eles entendiam que não era o melhor momento para correr mais riscos e a decisão de Marcos em adiar os planejamentos para a higienização no dia seguinte era sensata e inteligente.

Após organizarem a sala, Cíntia retornou para o quarto de seu irmão para acompanhar o desenvolvimento de seu caso, enquanto Rafael, Mathias e Naiara continuaram na sala conversando sobre tudo que havia acontecido.

- Obrigada por não me expor Mathias – agradecia Naiara.

- Não precisa agradecer nada – Mathias retribuiu – na hora que vi Vinicius entrando pela porta fiquei perplexo e com muita raiva, mas sabia que não era o momento de resolver nossas indiferenças – concluiu.

- Você mudou muito primo – elogiou Rafael – não é mais o mesmo Mathias de uma semana atrás – finalizou.

- Obrigado Rafa! Nesta nossa situação temos que ser firmes para conseguir sobreviver – Mathias dizia.

- Apesar de tudo conseguimos chegar aqui – Rafael suspirava – mas o clima aqui é mais pesado que na mansão do Vinicius ou estar encurralado por andarilhos na rua – observava.

- Mal chegamos e já aconteceu tanta tragédia – Naiara completava – será que aqui é realmente seguro? – questionava.

- Não sei – respondeu Mathias – sinto que aqui por enquanto pode ser, mas também estamos presos e se algo acontecer não tem para onde fugir – justificava.

- E como vamos lidar com o Vinicius – Naiara perguntava meio engasgada.

- O tempo dirá – respondeu Mathias – amanhã temos que questionar de onde ele tirou a arma.

- Vai ser uma situação muito chata encontrá-lo – disse Naiara – principalmente se ele estiver com aquela garota.

- Será inevitável – Rafael a abraçava – eles estão bem aqui no apartamento da frente.

Naiara se encolheu no canto do sofá nada satisfeita com a ideia que teria que conviver com Vinicius novamente, principalmente sabendo que agora ele não estava mais sozinho. Cíntia voltou informando que seu irmão estava um pouco febril, mas estava bem, dormindo e que sua mãe também havia pegado no sono. Ela chamou Mathias para irem dormir, afinal estava exausta de tudo que passou naquele dia e queria descansar ao lado de seu namorado.

Rafael decidiu tomar um banho para poder relaxar antes de dormir com Naiara e deixou a garota sozinha na sala. Ela estava deitada no sofá somente com a luz de um abajur acessa. A porta de entrada do apartamento ainda estava aberta, pois Tiago ou alguma outra pessoa poderia precisar de algo. Naiara estava um pouco sonolenta, mas percebeu um vulto entrando no apartamento e logo despertou com susto, percebendo que era Vinicius.

- Posso falar com você? – perguntou o rapaz.

- Acho que nós não temos mais o que conversar e não quero saber de suas justificativas – Naiara decidia cortar a conversa.

- Eu te entendo, mas peço para não contar nada para a Larissa, ela não sabe – Vinicius pedia na maior cara de pau. O pedido deixou Naiara com um pouco de raiva internamente, entretanto, não queria mais saber de Vinicius e topava qualquer coisa para não falar mais com ele.

- É muita cara de pau sua me pedir isso depois do que aconteceu entre a gente – respondeu Naiara – mas não se preocupe que não falarei nada.

- Eu só estava carente e tinha medo... – Vinicius tentava se justificar.

- Não fala mais nada porque não quero saber – Naiara cortava.

- Só estou tentando dizer... – Vinicius tentava novamente.

- Vinicius chega! – interrompeu Naiara – e se você continuar me enchendo o saco, garanto que conto tudo que aconteceu para Larissa.

- Tenho certeza que você não faria – Vinicius dizia mudando o tom de voz – eu amo a Larissa e não quero estragar meu relacionamento com ela – continuava.

- Seria uma pena mesmo ela se decepcionar com você assim como eu – Naiara dizia friamente.

- Sinceramente – Vinicius esboçava um leve sorriso irônico no rosto – não me importo com a sua decepção e se você se aproximar da Larissa para tentar contar qualquer coisa terei que tomar providências – neste momento Vinicius apalpou um objeto por baixa da camiseta e Naiara entendeu que era sua arma.

Naiara permaneceu em silêncio sem saber o que dizer a Vinicius e o ex-ator entendeu que ela havia entendido o recado. Rafael surgiu na sala achando estranha a presença de Vinicius, notando também que Naiara parecia assustada.

- O que você está fazendo aqui? – questionou Rafael.

- Já estou de saída – Vinicius respondeu levantando e voltando para seu apartamento.

- O que ele te falou? – Rafael perguntou para Naiara assim que Vinicius saiu.

- Ele pediu para não contar nada sobre nosso caso para a Larissa – Naiara decidiu não contar o resto da conversa.

- Que filho da puta, claro que vamos contar – Rafael dizia rindo.

- Não quero isso, não é da nossa conta – Naiara negou – agora eu só preciso dormir um pouco.

Na cobertura de Marcos a situação não estava boa para Alysson que já havia apanhado muito do sindico e Júlio. O recente viúvo estava jogado no chão com vários hematomas pelo corpo devido à agressão. Marcos já havia decido também que iria expulsa-lo do edifício, e sabia que na situação que se encontrava seria uma presa fácil para os andarilhos do lado de fora.

Lucas não havia participado das agressões e achava desnecessário o que o tio fez. Alysson demonstrava arrependimento e para ele aquilo era o pior castigo que poderia ter. O jovem morava com Marcos há pouco tempo e já presenciou vários atos que fizeram perceber que seu tio não era uma boa pessoa, se envolvendo com trabalhos clandestinos. Ele nunca se envolveu nestes assuntos, pois por mais que Marcos pudesse ser seu tio, ele ainda era um recém hospede na cobertura do sindico.

Durante a madrugada os rapazes ainda estavam acordados fazendo várias pressões psicológicas em Alysson, como se fossem verdadeiros bandidos amedrontando suas vítimas. Lucas não aguentava mais ouvir o choro e lamentações de Alysson e decidiu intervir para que aquela sessão de sofrimento acabasse.

 - Tio chega! – disse Lucas chegando a um dos quartos onde estavam Alysson, Marcos e Júlio.

- O que você está dizendo? – questionou Marcos.

- Ele já entendeu e compreendeu tudo que fez – alegou Lucas – já da para ver na cara dele o arrependimento.

- Não se mete Lucas e sai daqui – dizia Marcos o expulsando.

- Isso está errado tio! – acusava Lucas.

- Você é um pirralho hipócrita, sabia? – dizia Marcos ironicamente – depois das coisas horríveis que você fez, vem me dizer que isto é errado?

Lucas ficou constrangido com a acusação feita por Marcos. Ele sabia dos seus erros do passado, mas não queria que mais ninguém soubesse. Julio se ligou e percebeu que algo de muito ruim Lucas teria feito para que Marcos falasse daquele jeito com o sobrinho. Ele era muito curioso e com certeza daria algum jeito de descobrir qual era esse segredo que abalava a relação de Lucas e Marcos.

Dois andares abaixo Henrique e Flavio já estavam deitados, tentando dormir depois de um dia tão turbulento como este, sendo o pior dia desde o início da epidemia. Flavio tinha muitos complexos e Henrique era seu porto seguro, garantindo que ele não entrasse em crises violentas de depressão. Flavio imaginava que se algo tivesse acontecido com Henrique durante a invasão do edifício ele provavelmente não aguentaria viver sem seu amado. Os dois já passaram por muitas situações difíceis e preconceitos, onde Henrique sempre segurou a barra e protegeu Flávio de todas as dificuldades.

- Se algo tivesse acontecido com você eu provavelmente não aguentaria o baque – Flavio desabafava.

- Não diga essa besteira – Henrique repreendia – nada vai acontecer comigo, mas se algo acontecer quero que você seja forte.

- Se você morrer eu vou querer morrer junto com você – desabafou Flavio.

- Não! – exclamou Henrique, levantando e ficando sentado na cama ao lado de Flavio – você vai lutar por mim para nunca se esquecer de tudo que vivemos.

- Eu não consigo viver sem você – Flavio dizia também se sentando. A voz dele tremia e as primeiras lágrimas começavam a cair.

- Você é mais forte do que imagina – encorajava – os que sobreviveram depois de hoje não possuem preconceito contra nós.

- Tenho muito medo – chorava.

- Não tenha, tudo vai dar certo – Henrique tranquilizava enquanto dava um beijo em Flavio – vamos descansar agora que amanhã será um longo dia.

O dia já estava claro e Márcia estava preparando café da manhã, observando que com os novos integrantes no edifício seus mantimentos não durariam muito. Cíntia surgiu radiante por finalmente estar ao lado de seu namorado e a felicidade da filha alegrava Márcia, mesmo estando com o coração apertado pela situação de Cadu.

- Como ele está mãe? – perguntou Cíntia.

- Dormindo – respondeu – não quis incomodá-lo.

Cíntia foi até o quarto abrindo a porta lentamente sem acender a luz e viu que seu irmão ainda estava dormindo imóvel. Alguém bateu na porta de seu apartamento e ela resolveu ir atender para poupar a mãe. Ao recepcionar viu que Marcos chegava com Julio e Alysson que demonstrava vários hematomas pelo corpo.

- Decidi expulsa-lo, você ou alguém gostaria de acompanhar – Marcos foi direto ao assunto.

Mathias chegava a porta junto a Cíntia no mesmo instante que Marcos anunciou a expulsão de Alysson e aceita participar da expulsão sem questionamentos. Ele sabia que a presença de Alysson no edifício poderia ser perigosa.

Márcia não quis presenciar para não deixar Cadu sozinho. Todos os outros sobreviventes do prédio quiseram presenciar a expulsão. Marcos já havia verificado a movimentação de andarilhos na rua e se agissem rápido não haveria grandes problemas. Depois disso Alysson teria que se virar para sobreviver.

Todos desceram para o hall passando por todos os corpos que ainda estavam por lá. O cheiro começava a incomodar e o próximo passo com certeza seria a higienização do edifício. Henrique pediu a Marcos que pudesse acompanhar Alysson até o portão, por questão de orgulho a ofensas que já sofreu dele, sendo permitido pelo sindico.

Enquanto isso no apartamento, Márcia terminava os preparativos do café quando notou Cadu vindo pelo corredor.

- Filho você está bem? – perguntou Márcia sem obter resposta.

Voltando a entrada do edifício, Henrique caminhava com Alysson em direção ao portão. Alguns andarilhos que não estavam muito próximos do prédio notaram a presença deles e começaram a caminhar lentamente em sua direção. Ao abrir o portão para que Alysson pudesse sair, todos puderam ouvir o grito de Márcia. Este curto momento de distração foi o que Alysson precisava para sacar um objeto ponte agudo em fincar no pescoço de Henrique, correndo na sequência.

- Não! – gritou Flavio.

Cíntia, Mathias e seu grupo correram em direção ao apartamento enquanto Julio e Marcos correram para tentar socorrer Henrique. Ao notar que Henrique não tinha salvação, Marcos empurrou seu corpo para fora e fechou o portão antes que os andarilhos chegassem. Flavio tentou ir até o local, mas foi impedido por Julio que retornava para o hall. Marcos voltou e trancou a porta de entrada do hall para que os andarilhos se ocupassem com o corpo de Henrique e esquecessem que ali havia sobreviventes.

Flavio caía ao chão chorando desolado.

Zombie Planet | Os Vivos Estão Mortos Parte III (Temporada II/Capítulo V) Zombie Planet | Os Vivos Estão Mortos Parte III (Temporada II/Capítulo V) Reviewed by MK Friend on 13.11.15 Rating: 5

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