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Zombie Planet | Um Novo Grupo (Temporada II/Capítulo II)


T II - C II
Um Novo Grupo

Alguns dias se passaram desde o incidente no hospital. As coisas pioraram na cidade e agora há militares ditando toque de recolher. A transformação é caótica e ninguém sabe mais em quem pode confiar. As pessoas não saem de casa e mesmo em seu lar o perigo é eminente.

Muitos abrigos foram criados para os refugiados, porém os mais frágeis não duraram muito causando muitas mortes. Isabel e sua família permanecem em sua casa, eles não se aproximam das janelas e a noite não deixam as luzes acessas para não chamar atenção dos monstros que estão do lado de fora.

Isabel permanece afastada de sua família temendo que de alguma forma demonstre a mentira que contou para encobrir a verdadeira morte de sua avó. O hospital não foi reaberto, estando lacrado desde então. Ninguém sabe dizer ao certo se há sobreviventes lá dentro e poucos estão interessados em descobrir, pois sabem que abri-lo poderia ser uma péssima ideia.

A infecção se espalhou rapidamente e assolou todas as cidades vizinhas, assim como outros estados e países. As autoridades não sabem informar onde se originou, quais causas e curas, mas o vírus mata sua vítima em questão de minutos ou horas dependendo do organismo.

- Isabel, por que você anda tão abatida? – questiona Isaac.

- Nada não querido irmão! O mundo está na bosta, nada demais – respondeu Isabel de forma grosseira.

- Nem nessa situação você vai parar de ser estúpida? – rebateu Isaac.

Isabel deu de ombros, levantou-se do sofá e seguiu em direção ao seu quarto. Isaac permaneceu na sala com seu avô assistindo os canais que ainda funcionavam. Mesmo passando apenas dois dias dos primeiros casos confirmados, a situação do sistema caiu drasticamente e o mundo já se transformou em um cenário apocalíptico. No noticiário, o sistema de segurança local instruía as pessoas a não saírem de casa, mas que se fosse necessário havia um campo para refugiados. O local era próximo da casa de Isaac e despertou o desejo no jovem de sair daquela jaula, pois sabia que não conseguiria proteger seu avô e sua irmã sozinho.

- Acho melhor irmos para esse local – Isaac sugere ao seu avô – pelo menos até as coisas se acalmarem.

- Não sei meu neto – responde o senhor – acho arriscado – conclui.

- É melhor do que ficarmos ilhados dentro de casa sem proteção – alegava o jovem.

O senhor não respondeu e permaneceu pensativo sobre a opinião do neto. Isaac não insistiu sabendo que provavelmente seu avô concordava com sua opinião, mas sentia-se inseguro por seus netos. A noite caiu e o silêncio do lado de fora era avassalador. Em alguns momentos ecoava sons de carros, helicópteros, gritos e gemido de algum moribundo vagando nas proximidades.

Deitado em sua cama, Isaac bolava um plano para chegar em segurança no campo de refugiados. Saindo logo pela manhã, eles teriam que se arriscar em andar pelas ruas repletas das criaturas. Eles iriam demorar cerca de uma hora para chegar ao local, mas Isaac tinha certeza que tudo daria certo e no dia seguinte eles estariam seguros com diversos militares ao seu redor os protegendo.

No dia seguinte Isaac acordou antes que todos e começou a preparar todos os mantimentos necessários para a partida. Logo seu avô surgiu e o questionou sobre sua decisão, alegando que todos deveriam ser a favor disso. O senhor disse ainda que se fosse o desejo de Isaac ele iria apoiar, mas ainda teria a opinião de Isabel que poderia não aceitar. Ansioso por partir o jovem decide acordar sua irmã e apressá-la.

- Isabel acorda! – Isaac sacudia a irmã tentando acordá-la – precisamos sair daqui.

- O que? – Isabel acordou assustada.

- Vamos embora para um lugar seguro – respondeu Isaac puxando a irmã para que se levantar.

- O que está acontecendo? – perguntou Isabel assustada – estamos sendo atacados?

- Não – respondeu – só acho que precisamos ir para um lugar mais seguro.

- Então não está acontecendo nada? – perguntou – você só esta querendo sair daqui porque acha que o campo para refugiados é um lugar mais seguro?

Sabendo que Isabel provavelmente não iria aceitar sair de casa, Isaac pensava que teria que argumentar rápido com a irmã antes que seu avô aparecesse e mudasse de ideia.

- Você quer que aconteça com o vovô o mesmo que aconteceu com nossa avó? – questionou Isaac.

As lembranças do hospital tomaram conta da mente de Isabel, que sabia a verdade do que realmente havia acontecido. Com medo de debater com Isaac e acabar entrando em contradição, ela resolve se calar e aceitar a ideia do irmão, mesmo achando que poderia ser suicídio sair de sua casa.

A principio Isaac achou estranho a inquietação da irmã, principalmente por não questionar muito e logo aceitar a ideia da fuga, entretanto, aliviado por conseguir convencê-la tão rapidamente. Ele voltou para a sala e informou seu avô que Isabel estava preparando suas coisas para fugir. O velho ficou surpreso com a noticia, pois achava que Isabel não ia querer partir e por fim acabaria convencendo o irmão a permanecer na casa. No fundo o senhor não possuía um bom pressentimento sobre o plano de seu neto.

Isaac parecia ansioso e a cada cinco minutos observava a janela analisando a hora certa de sair. Havia alguns andarilhos na rua e naquele momento seria arriscado sair de casa. Isabel estava sentada no sofá observando cada passo de seu irmão. Ela não acreditava que aquele plano podia dar certo e estava pronta para tomar decisões difíceis se fosse necessário.

Já passava do meio dia e a movimentação na rua não diminuía. Isaac não queria passar mais uma noite naquele local. Ele imaginava como podia sair pelos fundos com sua família sem chamar a atenção, pular o muro do vizinho, caminhar pelo corredor e sair pela rua de trás. O único porém deste plano era não saber como estava a situação lá.

Decidindo verificar antes de tomar qualquer decisão precipitada, ele abriu a porta da sala sem deixar ser notado por um zumbi que passava bem no momento de frente a sua garagem. Caminhou lentamente até o muro e o pulou rapidamente. Seguindo pelo corredor, notou que a casa estava vazia e os donos haviam fugido ou coisa pior. Observando a outra rua, ela parecia bem mais calma e eles poderiam fugir por ali. Ao retornar e pular o muro ele não notou que dois infectados estavam parados em frente ao portão, como se pressentisse que ali possuía pessoas normais.

O ser começou a gruir quando viu Isaac pulando o muro, assustando o jovem que correu para dentro de casa apressando seu avô e irmã. Os dois começaram a preparar seus mantimentos, colando suas mochilas e indo em direção a porta e quando saíram puderam notar que já havia aglomerado algumas dúzias dos errantes em frente a sua casa e forçavam o portão na tentativa de entrar.

Isaac subiu no muro para ajudar seu avô, enquanto Isabel permaneceu no chão para dar impulso ao senhor. A pressão que as criaturas colocavam sobre o portão aumentava e já era visível que a corrente estava cedendo. O idoso não conseguia escalar o muro e Isabel não conseguia ajudá-lo. Não demorou muito e finalmente o portão cedeu e os andarilhos começaram a entrar pela garagem. Desesperada Isabel largou o avô e pulou o muro, deixando o idoso para trás.

Surpreendido com a atitude egoísta da irmã, Isaac tenta a todo custo erguer o avô para que ele consiga pular o muro antes que os infectados o alcançem. A força que o jovem fez o impulsionou para trás, erguendo o avô e o deixando pendurado sobre o muro. Com a inclinação Isaac acabou caindo, neste momento Isabel resolveu ajudar e começou a puxar o avô, mas as criaturas o alcançaram e morderam sua canela. Os gritos de dor do senhor, fez com que os netos o puxassem com mais força até que conseguiram trazê-lo ao outro lado.

O ferimento era profundo e novamente Isabel se via numa situação difícil, onde seu avô foi atacado por culpa dela.

- Você é a culpada de tudo isso Isabel – acusava Isaac com raiva.

- Não meu filho – interrompeu o avô – se ela tivesse ficado provavelmente teria sido atacada.
Isaac se calou e Isabel não se pronunciou nem para pedir desculpas ao avô. Ela tirou da mochila uma blusinha e rasgou para estancar o ferimento, enquanto Isaac fazia a patrulha para saírem logo dali. Enquanto observava se podiam sair Isaac percebeu a presença da irmã, mas evitou falar com ela, pois ainda estava muito chateado com tudo que havia acontecido.

- Isaac. Não tinha como evitar – Isabel tentava se justificar.

- Deixa quieto Isabel – respondeu friamente – vamos pegar o vovô e irmos embora antes que aquelas criaturas arranjem um modo de chegar até nós – concluiu.

Os irmãos voltaram até o corredor onde o senhor permanecia sentado e podiam ouvir os gemidos e grunhidos do outro lado. A essa altura, as criaturas também haviam invadido sua casa e aquele lugar estava inabitável.

Eles não enfrentaram problemas para chegar ao centro de refugiados. As ruas estavam desertas e sempre que avistavam algum andarilho se escondiam ou apressavam o passo para fugir das criaturas. Estava anoitecendo quando chegaram ao local esperado e foram recepcionados com rigidez e desconfiança pelos soldados que estavam nos portões. Fizeram diversas perguntas até que perceberam a mancha de sangue na panturrilha do senhor.

- Que ferimento é esse? – questionou o soldado.

- Fui mordido e... – o senhor disse até ser interrompido.

- Deem meia volta e vão embora – ordenou o soldado.

- Não podemos. Nosso avô está machucado e não temos para onde ir – rebateu Isaac.

- Vocês têm cinco segundos para irem embora – disse o soldado gritando enquanto outros soldados armados apontavam em sua direção.

- Não vamos embora – disse Isaac gritando.

- Cinco... – o soldado começou uma contagem regressiva.

Isabel puxou Isaac e eles recuaram enquanto o soldado ainda realizava a contagem regressiva. Ao final eles começaram a tirar para assustar e afugentar o trio. Perdidos e sem lugar para ir, Isaac não sabia o que fazer para proteger sua irmã e seu avô ferido. O senhor aparentava muito cansaço e estava muito ofegante pela caminhada.

Em um prédio na mesma rua que os três passavam, um casal os via do alto. Sara e Alysson estavam na janela e os observavam se aproximando e cada vez mais próximo do edifício. Notando que não eram andarilhos, Sara queria ajudar aquelas pessoas para que não morressem. Alysson pensava o contrário e achava muito arriscado abrir o portão do edifício e convidar estranhos para se abrigar no local, principalmente sem o consentimento dos demais moradores que ali estavam refugiados.

- Você não vai fazer isso! – dizia Alysson segurando Sara pelo braço.

- Eu não posso deixar eles lá fora para morrer – retrucava – eu estaria agindo pior que estes loucos canibais que estão soltos pela rua – concluía se soltando e saindo do quarto.

Sara saiu de seu apartamento e desceu as escadas correndo passando pelo andar do apartamento da família Silva que estavam com a porta aberta. Cíntia percebeu o movimento e correu para verificar, vendo somente o vulto de Sara descendo a escadaria. Seu irmão Cadu também se aproximou curioso.

- Será que aconteceu novamente? – questionou Cadu.

- Acho que não – Cíntia respondeu – ela não estava chorando, nem parecia assustada – concluiu quando viu sua mãe se aproximando.

- O que vocês estão fazendo aqui? – questionava Márcia, mãe adotiva de Cíntia e Cadu.

- A Sara passou correndo, descendo as escadas – respondeu Cíntia.

- Vamos ver o que é – disse Márcia – o andar abaixo já é o hall, não tem para onde ir.

Os três desceram para o hall atrás de Sara e logo atrás surgiu Alysson que procurava pela esposa. Eles perceberam que a mulher já estava na entrada do edifício socorrendo o senhor, enquanto Isabel entrava pelo hall e Isaac trancava novamente o portão.

- O que ela está fazendo? – questionava Márcia com indignação na voz – quem são eles?
- Eu tentei impedir – Alysson se justificava – ela não quis me ouvir e decidiu amparar esses estranhos – o homem tentava se isentar da culpa.

Isabel permaneceu na portaria do hall sem falar nada, percebendo que aquelas pessoas que ali estavam não aprovavam a ideia de ter estranhos. Ela esperou que Sara entrasse com seu avô e Isaac.

- Este senhor está ferido – dizia Sara – Cíntia você pode ajudá-lo? – direcionava a questão a Cíntia que cursava medicina.

- Não sei exatamente, mas vamos levá-lo ao apartamento da Roberta. Ela saberá o que fazer – respondia Cíntia.

Roberta era uma senhora que morava no edifício e acabou ficando prisioneira do local assim como todos os outros. Ela era enfermeira e conhecia Cíntia desde pequena, inspirando a jovem na carreira médica. Morando nos últimos andares, todos subiram pelas escadas, pois tentavam economizar energia do gerador e não usar o elevador.

Batendo na porta da senhora, ela atende assustada estranhando o movimento. Logo observou o senhor e com toda sua experiência notou o suor e palidez, concluindo que estava com febre antes mesmo de qualquer um falar algo. Todos entraram e Roberta examinou a ferida, alegando que estava infeccionada. Sempre sendo muito prestativa, ela o levou para o quarto de hóspedes e o acomodou para limpar o ferimento e aplicar alguns antibióticos que possuía em casa. Após algum tempo o senhor apresentou certa melhora e acabou adormecendo.

Isaac e Isabel explicaram aos novos companheiros tudo que haviam passado, desde a fuga desesperada de sua casa, a visão devastadora da cidade e a expulsão do campo de refugiados. Enquanto contavam suas experiências antes de chegar ao edifício, três homens surgiram na porta do apartamento de Roberta. Márcia esboçou uma expressão de deboche ao vê-los e deu de costas a eles.

- O que esta acontecendo aqui – perguntava um dos homens, de aparência mais velha – quem são estes?

- A Sara os acolheu – respondeu Alysson quase que de imediato – mas está tudo bem Marcos. São pessoas de bem – concluiu.

- Não me importa – Marcos rebateu – eu estou no comando aqui e vocês não devem trazer ninguém aqui para dentro.

- Estávamos desesperados lá fora e não tínhamos para onde ir – Isaac explicava.

- Não me importa – Marcos falava de maneira fria – ache outro lugar pra ficar.

Márcia também não gostava da ideia de ter três estranhos dentro do prédio em um momento tão delicado, mas não suportava a arrogância de Marcos, comprando a briga.

- Você não é o ditador do prédio – Márcia se dirigia a Marcos – você é somente o sindico e não toma todas as decisões sozinho.

- Tio não arrume briga agora. Deixem eles ficarem – um dos rapazes que acompanhava Marcos cochichou em seu ouvido. Marcos olhou para o rapaz com reprovação, mas acatou a sugestão e saiu sem dizer nada.

Roberta retornou e sugeriu que os dois irmãos tomassem um banho, comessem algo e descansassem. Ela se ofereceu para tomar todos os cuidados de seu avô, tranquilizando os jovens.

Márcia ofereceu seu apartamento para que pudessem se banhar e comer algo. Mesmo desconfiada, seu coração era bom e acolhedor. Todos saíram, deixando Roberta sozinha com o senhor em seu apartamento, enquanto ela preparava mais algumas coisas para cuidar do senhor.

Sara e Alysson seguiram para seu apartamento e lá iniciaram uma discussão. Ele não aceitava a ideia que a esposa tivesse passado por cima de sua vontade ao ajudar os três estranhos. Enquanto Sara se defendia, alegando que não podia os deixar para morrer. A briga foi se acalorando até que Alysson disparou um forte tapa no rosto de Sara. A força do tapa fez com que a mulher caísse ao chão. Alysson se aproximou e começou a bater em sua esposa.

Enquanto isso no apartamento de Márcia, Isaac continuava contando com mais detalhes tudo que havia passado na rua. Isabel estava no banho e apreciava a água quente, já que a energia de seu bairro havia sido cortada dois dias antes. Ao sair, foi a vez de Isaac se banhar enquanto ela comia um lanche. Ela logo iniciou uma conversa com Cadu, achando o jovem muito atraente e por ali ficaram conversando por um bom tempo.

Após jantar, Isaac subiu para verificar como seu avô estava e Isabel não quis ir. Márcia não gostou da atitude da menina, mas resolveu não se meter.

Entrando no apartamento de Roberta, Isaac caminhou até o quarto onde estava seu avô e o senhor permanecia dormindo. Roberta disse para ele não se preocupar que tudo ficaria bem. Isaac queria ficar por ali, mas Roberta insistiu para que ele tivesse uma boa noite de sono tranquilo, fazendo-o retornar para o apartamento de Márcia.

Naquela madrugada Roberta colocou seu despertador para tocar e dar uma nova remessa de antibióticos ao senhor. Ela levantou, caminhou até o banheiro onde guardava as medicações, pegou tudo que era necessário e foi até o quarto onde o senhor se encontrava.
Acendendo a luz, ela caminhou até a cama e sentou na ponta chamando pelo senhor. Ele abriu os olhos e ela notou que eles estavam brancos. O senhor levantou rapidamente, segurando Roberta pelos ombros, mordendo e arrancando seus lábios.

Com muita dor, a senhora caiu ao chão e começou a se rastejar em direção a porta. Ela não conseguia gritar para pedir socorro. O senhor levantou-se da cama e começou a caminhar em sua direção, enquanto Roberta tentava se arrastar. Ele caiu sobre a velha enfermeira mordendo sua nuca, deixando Roberta sem defesas.

CONTINUA...



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Revisão
Carolina Soares
Luara Moraes Leão

Zombie Planet | Um Novo Grupo (Temporada II/Capítulo II) Zombie Planet | Um Novo Grupo (Temporada II/Capítulo II) Reviewed by MK Friend on 15.10.15 Rating: 5

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