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Zombie Planet | Os Vivos Estão Mortos (Temporada II/Capítulo III)


T II - C III
Os Vivos Estão Mortos

Cintia acorda naquela manhã esperançosa, pois acredita que Mathias esta chegando. Seu coração está acelerado só de imaginar que em breve eles estarão juntos e poderão enfrentar essa nova realidade.

Levantando de sua cama, a jovem notou que sua mãe já havia acordado e sentia o cheiro de café fresco. Caminhando lentamente para não acordar Isaac e Isabel que estavam na sala, ela chegou caminhando na ponta dos pés até a cozinha, onde Márcia também silenciosamente preparava o simples café da manhã. Encostando-se à janela da cozinha, a garota podia observar um andarilho caminhando sem rumo na rua.

- Será que ele está bem? – questionou Cíntia ao vento.

- Com certeza – respondeu Márcia, entendendo perfeitamente a angustia da filha.

- Não consegui mais falar com ele – Cíntia lamentava – estou tão preocupada.

- Tudo vai dar certo meu anjo – Márcia tentava tranquilizar a jovem.

- Vou subir no apartamento da dona Roberta. Ver como anda o avô deles – dizia Cíntia apontando com o olhar os dois jovens dormindo na sala – quem sabe aprendo alguma coisa nova.

Subindo pelas escadas, os pensamentos da jovem eram voltados ao seu amado Mathias e perdida nas memórias de quando estavam juntos, Cíntia não notou a marca de sangue nos degraus no início das escadas que dariam acesso ao andar acima do apartamento de Roberta. Ela encontrou a porta aberta, mas não achou estranho e entrou chamando pela senhora que, não respondia.

O local estava escuro, com as cortinas da sala fechadas e o único foco de luz era o quarto onde o avô de Isaac e Isabel estava acomodado. Caminhando até o local, ela continuou chamando por Roberta, mas o silêncio dominava o local. Abrindo a porta do quarto, ela presenciou a horrível cena de ver Roberta com o pescoço e costas totalmente dilacerados. O choque foi tão intenso que Cíntia jogou o corpo para trás, perdendo o equilíbrio e caindo sem ao menos conseguir gritar.

O pesadelo de Cíntia só piorou quando Roberta começou a se mexer com dificuldade ainda caída no chão. A mulher estava sem os lábios e com todos os dentes frontais a mostra e rosnava como um animal prestes a abater sua presa. Neste instante Cíntia não conteve as lágrimas de desespero. Com dificuldade Roberta começou a levantar-se e um pedaço da carne dela começa a cair ao chão, embrulhando ao mesmo tempo o estômago de Cíntia que, mesmo estando acostumada não conseguia manter os olhos fixados.

Cíntia apressou-se e também levantou para fugir do apartamento, fechando a porta na tentativa de prender Roberta do lado de dentro. Pensando estar livre do perigo, Cíntia percebeu que não estava sozinha no corredor e notou a presença do avô dos garotos totalmente ensanguentado parado na ponta da escada olhando em sua direção.

Finalmente ela conseguiu soltar um grito de socorro, alertando Bruno que morava no mesmo andar de Roberta, mas que não havia notado nada fora do controle na noite anterior. Ele abriu a porta de seu apartamento e notou Cíntia petrificada de medo, olhando fixamente para o moribundo. Para proteger a garota, Bruno sem pensar em um impulso heroico correu em direção ao senhor.

- Foge pelo elevador – ordenava Bruno.

Imediatamente Cíntia obedeceu e apertava o botão do elevador. O grito da jovem chamou a atenção de outros morados, inclusive de sua mãe. Ao entrar no elevador, Cíntia se confundiu e apertou o botão do térreo sem notar. Márcia correu para o corredor e viu Bruno rolando as escadas com o avô infectado dos jovens. Duas moradoras do mesmo andar de Márcia, ao ver a cena se assustaram e correram para descer ao hall e fugir do prédio.

Márcia correu em direção a cozinha, pegando a maior e mais afiada faca de sua gaveta, voltando imediatamente para o corredor. Bruno tentava empurrar a cabeça do velho, mas em um ato falho perdeu a força e o infectado mordeu seu punho. Vendo a situação, Márcia segue em direção aos dois e finca a faca no ouvido do velho que cai morto.

Isaac, Isabel e Cadu chegam no exato momento que a mulher esfaqueava a cabeça do senhor. Isabel fica paralisada, enquanto Isaac corre em direção a Márcia sem entender o que estava acontecendo. O jovem empurra a mulher e a acusa de ter matado seu avô, enquanto Cadu se aproximava para segura-lo.

- Ele não era mais seu avô – dizia Márcia – ele estava igual aquelas criaturas que estão lá fora.

- Mentira! – Isaac dizia em desespero e com lágrimas nos olhos.

Enquanto isso, Cíntia chegava ao térreo e assim que a porta abriu, ela se deparou com as duas mulheres que tentavam fugir. Assustadas elas atacaram Cíntia, mas logo perceberam que não havia nada de errado. Cíntia as ignorou e tentou subir as escadas para ir a encontro a sua família, mas foi impedida por uma das mulheres.

- Aonde você vai? – questionava a mulher.

- Preciso encontrar minha família – explicava Cíntia chorando muito.

- Você não pode! Eles já estão no nosso andar – a mulher dizia enquanto puxava Cíntia – vamos sair daqui.

Com o impulso do puxão da mulher Cíntia soltou um grito, mas correu junto com suas vizinhas. O grito alertou Márcia que, ignorando Isaac correu em direção ao hall para encontrar sua filha.

Chegando ao local, Márcia notou a porta principal aberta e correu em sua direção vendo Cíntia e suas vizinhas abrindo o portão da rua para fugir.

- Cíntia! – gritou Márcia, fazendo com que sua filha olhasse para trás.

As três fugitivas se distraíram com o chamar de Márcia e não notaram a presença de alguns andarilhos que estavam próximos ao portão. Uma das mulheres foi agarrada, recebendo uma mordida, assustando as demais.

- Foge filha! – ordenava Márcia, sinalizando para a filha correr em direção ao final da rua.

Cíntia e sua vizinha correram, enquanto a outra era atacada pelas criaturas que se aglomeravam sobre ela. Alguns seguiram caminhando em direção a Cíntia, enquanto outros notavam Márcia e entravam pelo portão seguindo em direção a entrada principal.

A mulher fechou a porta e apoiava seu corpo para fazer pressão e impedir que os mortos vivos entrassem. Surpreendendo-a Marcos e seu funcionário Júlio chegaram para ajudar. A rivalidade de Márcia e Marcos era antiga, mas este não era o momento de deixar o orgulho vencer e juntos teriam que aguentar firme para impedir que o prédio fosse invadido.

Não demorou muito e Lucas, o sobrinho de Marcos chegou para ajudar a bloquear a passagem das portas. O esforço dos quatro não foi suficiente, ao lado de fora havia aproximadamente 30 infectados forçando a entrada.

- Não vamos aguentar por muito tempo – Marcos dizia aos demais.

- Temos que aguentar – respondia Márcia.

- Tenho um plano – Marcos sugeria – vamos deixá-los entrar e os atraímos para as escadas. Lá um por um vamos os eliminando.

Os quatro se afastaram ao mesmo tempo e em questão de segundos a porta ruiu, liberando a entrada das criaturas. Eles recuaram para as escadas e Márcia deu sua faca para que Marcos assumisse. A pequena multidão de zumbis seguia-os e Marcos esfaqueava de todas as maneiras os que se aproximavam, mas eles não morriam.

No andar de cima, Bruno faleceu devido ao ferimento no pulso. Isaac estava desolado ao lado do corpo de seu avô, enquanto Isabel estava na presença de Sara, Alysson e outros moradores que chegaram para presenciar.

Repentinamente Bruno abriu os olhos e fez com que Isaac desse um pulo. Presenciando que mais um zumbi estava dentro do edifício, um dos moradores apertou o botão do elevador na esperança de fugir pelo hall sem ter noção do que estava acontecendo no térreo do edifício.

Alguns moradores além de Isaac, Isabel, Sara e Alysson entraram no elevador, enquanto outros corriam para os andares de cima e de baixo. Cadu voltou para seu apartamento, fechando a porta.

O som do elevador atraiu alguns infectados no hall que ficaram se debatendo na porta. Neste instante Marcos enfiou a faca na cabeça de um dos mortos vivos, notando que o único dano permanente neles seria uma lesão na cabeça.

A porta do elevador se abriu e para a surpresa desagradável de seus ocupantes, eles foram recepcionados pelas criaturas. Um dos moradores foi puxado instantaneamente por eles, começando a ser devorado. Isaac, Isabel, Sara e Alysson conseguiram empurrar os andarilhos e correram para fora do local. Três moradores não tiveram a mesma chance e foram encurralados pelos mortos vivos dentro do elevador, a porta se fechou e só podia ouvir os gritos.

Márcia, Marcos e seus companheiros, subiram as escadas correndo e no primeiro andar Marcos bloqueou o elevador, para que as criaturas não se espalhassem pelo prédio. Na rua Isaac e Isabel correram por um beco, enquanto o casal Sara e Alysson correram em direção ao final da rua.

Márcia batia na porta para que seu filho Cadu pudesse abrir, enquanto os primeiros andarilhos começavam a surgir na ponta da escada. O jovem abriu a porta puxando sua mãe para dentro e trancando novamente. Marcos continuava golpeando um a um até que surgiu Henrique com uma chave de fenda na mão, salvando Marcos antes que Bruno pudesse atacá-lo.

Lucas que havia subido a cobertura para pegar mais armas brancas voltou equipado. Os quatro lutavam para não serem dominados pelas criaturas, mas surgiam mais a cada minuto e os três primeiros andares já estavam tomados.

Alysson e sua esposa Sara encontraram o grupo de Mathias no final da rua para onde haviam fugido. Eles convenceram a todos que não era um bom momento para ir ao edifício, pois estavam sobre ataque das criaturas. Eles ficaram abrigados em uma velha loja de roupas na mesma rua e Mathias ficava monitorando o movimento no prédio, enquanto os demais conversavam com o casal e tentavam conhecê-los.

- O movimento diminuiu – dizia Mathias – acho que podemos arriscar de ir até lá.

- Eram muitos, não creio que alguém tenha sobrevivido – Alysson rebateu na esperança de desencorajar Mathias.

Rafael se aproximou de seu primo dando um toque em seu ombro, ele não precisou dizer nada para confortar a aflição de seu amigo e parceiro. Ali os dois permaneceram por mais alguns minutos e praticamente os andarilhos da rua se extinguiram aumentando a vontade de Mathias correr até o prédio.

- Cara eu não quero colocar pilha negativa, mas o moleque está machucado – dizia Alysson apontando para Tiago.

- Eu estou pronto para ir – Tiago se interferiu para não ser usado como obstáculo.

- Então vamos – Mathias dizia determinado.

Os veteranos Mathias, Rafael saíram na frente enquanto Naiara ajudava Tiago a caminhar para fora do estabelecimento e mesmo contrariado Alysson seguiu logo atrás com Sara. O casal estava inseguro de retornar ao edifício após ter presenciado a invasão dos andarilhos, entretanto, não queriam ficar sozinhos e desamparados sem muitas chances de sobrevivência.

Ao passar pelo portão de acesso a rua o grupo é surpreendido por Marcos e os demais homens que estavam eliminando os andarilhos. A princípio o sindico do edifício não reconheceu Mathias, apontando e pressionado levemente a faca no pescoço do jovem que estremeceu.

- O que é isso Marcos? – questionou Mathias com voz trêmula devido ao susto. Rafael estava pronto para atacar o homem, mas temia que ele ferisse seu primo, enquanto os demais do grupo permaneciam congelados.

- Eu te conheço? – questionou Marcos com semblante de desconfiança por não se recordar de Mathias.

- Já impedi que a Márcia te batesse uma vez – Mathias reforçava a memória de Marcos.

Instantaneamente o sindico lembrou-se do jovem e recuou fazendo com que Mathias respirasse com suavidade. O homem observou que Alysson e Sara estavam de volta, além de observar os estranhos que acompanham Mathias. Quando notou a presença de Tiago, percebendo os ferimentos, caminhou em direção ao rapaz com tranquilidade.

- Ele foi mordido? – perguntou Marcos, fazendo com que Tiago sentisse frio no estômago.

- Não – respondeu Mathias de imediato – sofremos um acidente de carro e ele acabou se ferindo – justificou.

- Vamos entrar. Aqui não é seguro – Marcos convidava a todos. Ao chegar ao hall, todos puderam observar os corpos dos primeiros andarilhos mortos, marcas de sangue pelas paredes e o mau cheiro do local. A cena se repetiu pelo primeiro andar, mas Mathias ignorou a nojeira e começou a bater na porta de Márcia chamando por sua amada.

Márcia abriu a porta e sua expressão de espanto e felicidade ao mesmo tempo tranquilizou Mathias que pensava o pior. Os dois se abraçaram e logo Cadu se aproximou também abraçando o cunhado. Apreensivo Mathias logo perguntou por Cíntia e sua mãe explicou tudo que havia acontecido, não conseguindo segurar as lágrimas de preocupação.

A esta altura ninguém poderia imaginar se Cíntia estava viva, morta ou os dois. O motivo de toda a luta e persistência de Mathias e seu grupo, além do sacrifício de Jorge pode ter sido totalmente em vão.

CONTINUA...



https://twitter.com/Mikeupcd

Revisão
Carolina Soares
Luara Moraes Leão

Zombie Planet | Os Vivos Estão Mortos (Temporada II/Capítulo III) Zombie Planet | Os Vivos Estão Mortos (Temporada II/Capítulo III) Reviewed by MK Friend on 23.10.15 Rating: 5

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