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Zombie Planet: Prisão Luxuosa (Capítulo VI)


Confira o sexto capítulo da fanfic original TPJ, Zombie Planet.

Personagens


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Zombie Planet
Primeira Temporada
Capítulo VI – Prisão Luxuosa

- Eu não consigo lembrar de nada – dizia Naiara chorando muito – você estão mentindo pra mim – acusava.

- Não estamos mentindo para você – dizia Jorge tentando convencer a garota.

Naiara parecia confusa com tudo aquilo e ela não acreditava no que aqueles estranhos diziam sobre o acidente de carro, a morte de sua família, um apocalipse zumbi, tudo parecia fantasia de loucos. A última lembrança que possuía era estar com Maíra em casa esperando seus pais chegarem. Depois pequenos flashes confusos brotavam em sua cabeça de uma pessoa atacando seu pai, sua rua com várias pessoas estranhas e sua irmã desmaiada ao seu lado no carro, mas não tinha certeza se aquilo era real ou apenas um horrível pesadelo.


Mesmo observando os hematomas pelo corpo e sentindo dores, Naiara não queria acreditar em tudo que o grupo lhe dizia. O fato de sua família estar morta era algo ao qual não conseguia imaginar e sua falta de memória aumentava a desconfiança em seu coração. Vinicius senta-se ao lado de Naiara pegando em suas mãos, fazendo com que a garota olhasse para ele. O olhar era perturbado, mas encantado de estar frente a frente com seu ídolo.

- Confie neles – disse Vinicius – os salvei quando chegaram aqui e você estava desacordada – concluiu.

- Não posso acreditar que minha família morreu e que fiquei sozinha – dizia a jovem chorando e abraçando Vinicius com força.

Estranhamente Rafael sentiu ciúmes daquela aproximação entre Vinicius e Naiara e decidiu ir até a cozinha para beber água. Notando o semblante diferente do primo, Mathias decide segui-lo para conversarem sobre os próximos passos para continuar sua jornada.

- Você está bem? – perguntou Mathias.

- Acho que estou – respondeu Rafael.

Mathias não deu importância para a repentina mudança de humor de seu primo Rafael e logo começou a tagarelar de como eles poderiam escapar dali assim que o sol raiasse no horizonte. Rafael observava seu primo falando e falando, mas não conseguia prestar atenção, sua visão era como se Mathias só gesticulasse.

- Estou cansado Mathias, teria como conversamos amanhã – dizia Rafael cortando Mathias.

- Mas amanhã, devemos sair cedo – Mathias tentava se justificar, sem sucesso. Rafael caminhou em direção a sala novamente e abordou Vinicius perguntando se havia algum local que pudesse dormir. O jovem ator lhe indicou o local e ainda sugeriu que todos pudessem tomar banho, alegrando o grupo que parecia exausto.

Rafael foi o primeiro a seguir para o banho. Olhando cada detalhe daquele banheiro enorme e luxuoso, o rapaz despiu-se e imaginou o quão glorioso devia ser a vida de Vinicius. Possuindo fama, dinheiro, uma bela casa e todas as garotas que quisesse aos seus pés. A luz de velas Rafael tomou seu banho rapidamente e ao sair deparou-se com Naiara esperando do lado de fora sua vez. A garota estava com o semblante triste, com os olhos vermelhos por conta das lágrimas e assustou-se quando Rafael abriu a porta.

- Você é a próxima? – perguntou Rafael tentando ser simpático. Naiara respondeu com um sorriso tristonho e entrou no banheiro.

Agora era a vez de Naiara banhar-se. A garota ainda não acreditava 100% no que haviam lhe contado. A história trágica que acontecera consigo e sua família horas antes parecia ser apenas um grande pesadelo. Diante do espelho a jovem observava cada um dos arranhões que ganhou em seu corpo após o acidente e esforçava-se para lembrar, mas tudo que vinha a sua mente eram lembranças escuras. Enquanto a água batia em seu corpo Naiara refletiu que agora estava sozinha e que teria que lutar para sobreviver se tudo que o grupo lhe contou fosse verdade. Perdendo as forças a pobre menina não consegue segurar as lágrimas novamente, chorando sentada no chão, enquanto a água deslizava por seus cabelos.


Jorge observa pela janela do banheiro a movimentação na rua e poucos zumbis permaneceram ali daqueles que os seguiam. Ele conseguia observar um corpo bem no meio da rua, mas sabia também que não estava morto. Virando-se em direção ao espelho, Jorge observava seu reflexo fixamente, olhando nos próprios olhos e imaginando o que faria para proteger todos aqueles jovens de seu grupo. O ex-militar se sentia responsável por cada um deles, já que, com exceção de Mathias que era um pouco mais velho, os demais todos poderiam ser seus filhos.

- Preciso protegê-los – disse Jorge determinadamente.

Mathias tomou seu banho lentamente e enquanto deixa a água cair, o ex-contador bolava um plano para chegar até sua namorada, mas sem a ajuda dos demais temia não conseguir. Ele desejava sair no dia seguinte bem cedo, para aproveitar o dia e impedir que imprevistos atrapalhassem seu caminho e logo bolou uma estratégia. O rapaz saiu rapidamente do banho e foi a procura de seu grupo, encontrando acordados somente Tiago que esperava que ele saísse do banho para poder entrar e Naiara sentada no sofá com o olhar distante e triste.

Tiago deixava a água cair no rosto e parecia sentir prazer em sentir aquela água quente deslizar pelo seu corpo. As memórias de seus pais não saía de sua mente, ele tinha certeza que sua mãe esteve no hospital e imaginava o pior. Chorando baixo para que os outros não ouvissem, o jovem levou as mãos ao rosto e se entregou a tristeza, pois tinha certeza que nunca mais veria seus amados pais.

Ao sair do banho percebeu que Mathias havia se recolhido e que somente Naiara ainda estava na sala, assistindo TV sem o áudio ligado.

- Todos já foram dormir? – perguntou Tiago a Naiara.

- Acho que só o Vinicius está acordado no quarto dele – respondeu sem olhar para Tiago.

Tiago resolveu ir até o local para agradecer a hospitalidade de Vinicius e ao se aproximar da porta do quarto de Vinicius notou que ele conversava com alguém.

- Sim, agora posso ir até você – dizia Vinicius – não, eles parecem de confiança – respondia. Tiago notou que o jovem ator falava ao telefone – pelo que entendi, eles estão indo para a mesma cidade que você mora e posso ir junto com eles que vou correr menos perigo – continuava a conversa.


Tiago não entendeu bem aquela conversa, mas resolveu ir deitar sem incomodar Vinicius e no dia seguinte conversaria com o resto do grupo sobre que acabara de ouvir.

Já era madrugada e Naiara continuava na sala assistindo TV, em todos os canais o assunto era somente a epidemia misteriosa que estava aterrorizando o mundo e o quão rápido essa nova doença devastou cidades. Em um dos canais ela notou que abordavam sua cidade no noticiário, onde mostravam filmagens aéreas do centro totalmente infestado por zumbis perambulando pelas ruas. A jovem tinha medo de aumentar o som da TV e chamar atenções indesejadas, mas pôde ler os lábios do ancora e entendeu algo como “explosão para dizimar os infectados”.

- Esta na hora de você descansar um pouco – disse Vinicius assustando Naiara.

- Estou bem - respondeu ao olhar assustada para o rapaz.

- Você é uma das minhas maiores fãs e gosto muito de você – dizia Vinicius tentando confortar Naiara – Todos nós estamos passando pela mesma situação. Não sabemos o que aconteceu com nossos parentes, se estão vivos ou mortos – justificava, enquanto acariciava lentamente o rosto da garota – entendo que é doloroso demais saber que sua família se foi, porém você tem a certeza do que aconteceu, os demais não – Vinicius sorria tristemente, olhando fixamente para Naiara que, retribuía o olhar – você é forte e deve servir de exemplo para os outros, além de ser a única garota, ou seja, o cérebro do grupo – dizia rindo de sua própria piada.

Naiara gargalhou da piada sem graça de Vinicius e por um segundo esqueceu da tragédia. Ela levantou-se do sofá onde estava e caminhou em direção a janela, com cautela para não ser pega de surpresa por algum zumbi que estivesse olhando na mesma direção. Cruzando os braços, ela vira-se com um suave sorriso no rosto.

- Você tem razão – concordava com Vinicius – sou a mente brilhante do grupo – sorria – tudo está muito recente. Eu acordei em um quarto estranho, cheia de arranhões pelo corpo, na casa do meu maior ídolo – refletia franzindo o rosto – e do nada sou informada que minha família morreu e sou a única sobrevivente de um acidente horrível – falava com a voz engasgada – concorda que tudo é muito assustador? – concluía.

- Sim, desculpe, só queria ajudar – Vinicius desculpava-se por achar que estava forçando a barra.

- Não! Você está certo – Naiara o tranquilizava – por mais que esteja doendo eu tenho que ser forte, até porque creio que os fracos não irão sobreviver neste novo mundo – dizia olhando novamente para fora, observando cada uma das criaturas que estavam por ali.

- Sempre te achei uma garota incrível – Vinicius a elogiava – e acho que é obra do destino você ter vindo parar justo aqui.

- Coincidências da vida – dizia Naiara constrangida com o elogio de Vinicius.

Um barulho estranho começou a ecoar no local. Um som estranho que parecia aumentar, como se algo estive a caminho. Naiara procura por algo que possa estar causando todo este barulho, mas não encontra nada. Vinicius se aproxima e diferente de Naiara, ele olha para o céu e pode ver um pequeno avião caindo. A aeronave esta inclinada e Vinicius logo reconhece sendo de um jatinho particular de algum ricaço que devia estar fugindo. Estando próximo de colidir, Vinicius age rápido e puxa Naiara se afastando da janela e jogando-se no chão.

O estrondo do choque da aeronave com o solo é ensurdecedor e o impacto fez a mansão de Vinicius tremer. As janelas estouraram, a grande TV de que estava pregada na parede despencou, quase atingindo os dois que estavam no chão, livros caíram da estante e os cacos de vidro das janelas caíram sobre eles.

O forte barulho durou apenas alguns segundos, mas para todos que estavam na mansão à sensação foi de horas. Jorge foi o primeiro a chegar à sala, cambaleado e tonto devido ao susto de acordar com tamanho estrondo. O ex-militar estava meio surdo e gritava com Vinicius e Naiara que também não o escutavam. Os dois jovens tinham pequenos arranhões pelo corpo, já que foram atingidos pelos vidros da janela. Logo Mathias também chegou ao local, em pânico sem saber o que tinha acontecido e correu em direção à janela, onde pôde ver a destruição do lado de fora.

A aeronave caiu a aproximadamente 500 metros da mansão de Vinicius e destruiu três casas. O local estava em chamas e o combustível que vazava causava pequenas explosões. Alguns zumbis caminhavam em direção as chamas, atraídos pela luminosidade do local e eram atingidos pelas explosões que jogavam os corpos a distancias.

Mathias notou que o muro da mansão de Vinicius havia sido danificado e uma pequena parte tinha caído. O rombo no muro não era grande o suficiente para que um zumbi passasse por ali, mas sendo pressionada por vários com certeza a estrutura não suportaria.

Rafael chega à sala correndo pedindo ajuda, pois Tiago estava convulsionando no quarto e mesmo atordoados todos correm para o local. Jorge socorre o garoto o deitando de lado para evitar que engasgasse com a saliva acumulada e ergueu seu queixo para facilitar a respiração. A crise aos poucos foi passando e Tiago foi retomando a consciência lentamente, até que o rapaz começou a chorar e agradeceu o ex-militar visivelmente constrangido.

- Pessoal, vamos deixar ele descansar – dizia Jorge – acho melhor esquecermos o que esta acontecendo lá fora, até para não chamar atenção indesejada – orientava – vão cada um para seus quartos e eu cuido dele.

Sem conseguir dormir direito Mathias resolve levantar para beber um copo d’água, caminhando pela mansão ele percebe que o dia já esta clareando e que um som estranho ecoa do lado de fora da casa. Indo em direção a janela para verificar o que acontece, o jovem contador é interrompido por Jorge que o surpreende.

- Não acho que seja uma boa ideia – dizia Jorge encostado no vão que dividia a sala de jantar da de estar.

- Por quê? – questionou Mathias.

- Esses mortos vivos se multiplicaram, a rua está infestada e aparecer na janela pode ser arriscado – explicava.

- Meu Deus! E como vamos sair daqui? Preciso chegar até minha namorada – dizia Mathias desesperado com a possibilidade de algo ruim acontecer sua namorada.

- Sair daqui agora é suicídio – Jorge dizia friamente.

Mathias correu até seu notebook para tentar contato com sua namorada, mas a garota não estava online, ele resolveu então deixar um recado para ele, informando tudo que estava acontecendo.

“Olá querida, tudo bom com você?
Não estou muito distante de você, mas tive imprevistos na viagem e estou preso numa casa, de onde não há a possibilidade de eu sair agora. Prometo que o mais breve possível estaremos juntos e que eu nunca vou te abandonar. Te amo!”

DOIS DIAS DEPOIS

Passaram-se dois dias desde o acidente com o avião nas proximidades da mansão e o cenário é o mesmo. Na rua há centenas de zumbis vagando sem rumo, a brasa da aeronave finalmente esta apagando, porém a atenção chamada pelas criaturas foi devastadora.

Mathias não recebeu nenhuma resposta de sua namorada, o que faz que ele imagine o pior. Rafael tenta a todo custo acalmá-lo, entretanto não é uma tarefa fácil.

- Cara, você precisa se acalmar – Rafael tentava tranquilizar seu primo.

- Ela não me respondeu até agora – dizia Mathias com a voz abafada com a vontade de chorar.

- Cara, relaxa, ela está bem! E nós em breve vamos sair daqui – dizia Rafael otimista, apertando o ombro de Mathias.

- Você diz isso porque seu crush está aqui ao seu lado – Mathias acusava Rafael, retirando a mão de seu ombro.

- Do que você está falando? – perguntou Rafael sem entender muito bem.

- Eu vi como você olha para a Naiara, sei que está interessado nela – disse Mathias sem pestanejar – pena que ela esta interessada no Vinicius né?  - questionou ironicamente.

- Nossa Mathias, cala a boca – Rafael rebateu dando de costas.

- Desculpe – dizia Mathias arrependido – estou nervoso e acabo dizendo essas merdas – se justificava.

- Tudo bem – dizia Rafael cabisbaixo.

Um som distante de explosão pairou no ar e logo Mathias e Rafael se assustaram achando que o avião estava causando mais estragos. Os dois correram para a sala e notaram uma fumaça distante, em direção ao centro da cidade. Naiara surgiu os chamando para ver a TV em outro cômodo e assim a seguiram.

Na TV mostrava o centro da cidade sendo bombardeada para diminuir a infestação de zumbis. Jatos passavam pelo local e jogavam bombas nas ruas, dizimando toda a população de mortos vivos pelas ruas e becos do local. A visão era chocante, o fogo percorria pelas ruas devastando tudo em seu caminho, os vidros dos prédios quebravam causando uma chuva prateada que cintilavam nas câmeras da TV. Tal cena fez cair a ficha de todos, que o mundo poderia nunca mais ser o mesmo, o que eles estavam acostumados a viver.


CONTINUA...

Próximo Capítulo

Escrito por: Mike Oliveira
Art Visual: Laís Piai 


Zombie Planet: Prisão Luxuosa (Capítulo VI) Zombie Planet: Prisão Luxuosa (Capítulo VI) Reviewed by MK Friend on 20.7.15 Rating: 5

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