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Zombie Planet: O Terror se Espalha (Capítulo II)



Confira o segundo capítulo da  fanfic original TPJ, Zombie Planet.

Personagens
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Zombie Planet
Primeira Temporada
Capítulo II - O Terror se Espalha

CINCO HORAS ANTES DOS ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS

Rafael Gregório estava trancado em seu quarto como de costume. O jovem era muito reservado e tímido, possuía poucos amigos e quase não saía para se divertir. A maioria de seus contatos eram amigos virtuais que realizavam o mesmo trabalho que ele. Há pouco mais de um ano, Rafael decidiu gravar um vídeo para internet parodiando e criticando ao mesmo tempo um filme polêmico da época. Seu vídeo viralizou e não demorou muito para que o jovem se tornasse uma web celebridade. Após este fato, Rafael criou uma conta no site Youtube e, com um pouco esforço, se tornou mais um youtuber de sucesso.

Já passara das duas da manhã e Rafael Gregório quebrava a cabeça tentando imaginar o que abordar em seu próximo vídeo. Com a TV ligada, Rafael escutou algo sobre ataques de raiva e canibalismo, decidindo então prestar atenção na matéria.

- Estas são as últimas notícias que recebemos: foi divulgado que cinco estados brasileiros já registraram ocorrências destes ataques de fúria – informava a repórter – só aqui na capital, trinta e uma ocorrências policiais foram registradas somente na última hora. Até o momento, as autoridades não se manifestaram sobre estes acontecimentos – finalizou.

Rafael achou estranha aquela notícia, entretanto, não se preocupou em verificar em outros canais ou pesquisar na internet sobre o assunto, pois um estalo em sua mente o fez ter a ideia para seu novo vídeo, que seria sobre zumbis.

Após montar todo seu equipamento como, iluminação, posicionamento da câmera, posicionamento do microfone e fazer o teste um para verificar se estava tudo correto, o jovem decidiu gravar.

- Oi, oi gente! – disse primeiramente, sem firmeza na saudação, decidindo mudar – Oi, como vai você? – tentou novamente sentindo que a saudação ficou um pouco fria – Olá turma! – pela terceira vez sentiu que não ficou convincente – Eae pessoal, tudo bem? Aqui quem fala é o Rafa – pela quarta e última vez tentou uma saudação sem sucesso. Resolveu deixar as apresentações de lado e ir direto ao assunto.

- Não sei se vocês viram as notícias na televisão sobre ataques zumbis – iniciou sua abordagem ao tema – acredito que tudo isso seja uma jogada de marketing bem elaborada por alguma empresa de publicidade querendo lançar algum filme ou série no Brasil – concluía seu pensamento enquanto fazia uma pausa, tomando um copo d’água e arrumando o cabelo. Verificou se o ângulo e se o foco da câmera estavam corretos, decidindo continuar.

– Dois anos atrás, nos Estados Unidos, uma empresa de publicidade realizou uma campanha semelhante a esta, onde com vários comerciais, em momentos diferentes, simulavam notícias de urgência para que as pessoas pudessem acreditar em um apocalipse zumbi. O que a empresa não esperava era que realmente muitos cidadãos americanos fossem acreditar na notícia e entrar em pânico. A empresa foi processada e... – Rafael teve que interromper seu raciocínio, pois sua tia batia na porta.

- Rafael, abra essa porta – esbravejava sua tia ao lado de fora do quarto – por que está trancado de novo?

O jovem abriu a porta para sua tia, que entrou no local visivelmente nervosa e chateada com seu sobrinho.

- De novo trancado Rafael? Por que você faz isso? – questionava a dona Ivone a Rafael.

- Se eu não trancar, a senhora entra sem bater, atrapalha meu trabalho e invade minha privacidade, simples assim – acusou.

- Que trabalho? Sentar na frente desse treco e falar um monte de besteiras com gente que você nem conhece? – Ivone ironizava a explicação de seu sobrinho e continuava – trabalho de verdade é aquele que você tem que levantar cedo, pegar o ônibus cheio ou ficar preso no trânsito, voltar tarde para casa e repetir isto tudo pelo mês inteiro e receber o salário no final, isso sim é trabalho. Isto que você faz não é trabalho de verdade – concluía.

- Tia, eu não quero discutir agora – dizia Rafael cabisbaixo com o que acabara de ouvir.

- Eu acordo às três horas da manhã de um sábado, ouvindo uma conversa estranha e me deparo com você novamente trancado gravando esses seus vídeos – Ivone resmungava enquanto saía do quarto.

Estes atritos entre Rafael e Ivone eram frequentes, pois sua tia não aceitava seu trabalho na internet, acreditando que era algo irreal e sem lucro consolidado. O jovem, depois de mais uma briga com sua tia, perdeu totalmente o ânimo para continuar gravando e começou a desmontar seu equipamento para poder dormir.

Rafael ouviu uma forte freada vinda da rua e correu até a janela para ver o que aconteceu e conseguiu observar um carro parado no meio da rua com fumaça ainda saindo de seus pneus. Mais a frente, na mesma linha do automóvel, Rafael identificou uma pessoa caída em frente ao carro e três pessoas caminhando lentamente em direção a ele.

As luzes se apagaram, assustando o jovem que se deparou com sua tia caminhando em sua direção.


- Uma dica de fofoqueira – dizia Ivone – sempre apague a luz para que não te vejam observando.

Os dois observavam atentamente o que iria acontecer na rua e podiam ver outras pessoas do prédio da frente fazendo o mesmo. A rua estava deserta, mas isto não inibiu o motorista do carro de descer e seguir rapidamente em direção ao corpo jogado no chão. Ao lado do passageiro, uma mulher abriu a porta e observou dali mesmo.

O homem que havia descido do carro ajoelhava-se ao lado do corpo estirado na rua, mas, para sua desagradável surpresa, ele foi atacado pela pessoa que tentava mordê-lo. A mulher, que ainda estava no mesmo lugar, começou a gritar.

- É um deles! Volte para o carro, os outros estão se aproximando – a mulher gritava em desespero.

Com algum esforço, o senhor conseguiu soltar-se do louco que o atacava e, sem pensar duas vezes, retornou ao carro correndo, dando ré, acelerando e desviando das pessoas que caminhavam em sua direção.


Dentro do carro, a mulher chorava com o terror que acabou de presenciar ao ver seu marido sendo atacado. Com as mãos no rosto, ela balançava a cabeça em sinal de negação. Ao lado do motorista, o homem não diminuiu a velocidade devido ao pânico e tensão que vivera momentos antes. Em um cruzamento, foi forçado a frear o carro novamente para evitar bater em outro que cruzava a pista. Sua mulher temia por suas vidas.

- Humberto, nós temos que chegar em casa vivos – gritava a mulher assustada.

- Desculpa Ângela, eu não estava raciocinando – dizia Humberto.

- Nossas filhas estão sozinhas e temo por elas, vamos logo, mas em segurança – rebateu Ângela.

Humberto acelerou novamente o veículo, desta vez com mais atenção, e dirigiu pelas ruas da cidade. A paisagem era diferente de dias comuns. Mesmo por ser madrugada, as ruas possuíam pessoas que caminhavam como se estivessem perturbadas ou sem rumo. Sempre que avistavam o carro, mudavam seu destino e começavam a caminhar em direção ao veículo como se fosse um imã.

- Eu não acredito que você as deixou sozinhas – Ângela acusava Humberto.

- Elas estão em segurança em casa – Humberto se defendeu – não podia deixar você abandonada, com todas essas loucuras que estão acontecendo – concluiu.

Ângela trabalhava à noite e, quando viu pelo noticiário o que estava acontecendo na cidade, ligou para Humberto ir buscá-la. Ela não queria ficar longe da família neste momento de confusão e, mesmo sem ter noção do que estava prestes a acontecer com o mundo, queria estar ao lado de suas filhas.

Enquanto isso na casa de Humberto, suas duas filhas estavam assustadas com o que assistiam na TV. Naiara era a mais velha e tentava tranquilizar sua irmã Maíra que apenas chorava preocupada com seus pais.

- Eles já estão chegando, tenho certeza – dizia Naiara.

- Mas e se alguma coisa acontecer com eles? – dizia Maíra, enquanto soluçava de tanto chorar.

- Nada vai acontecer, confie em mim – Naiara tentava tranquilizar a irmã.

- Por que tudo isso está acontecendo? – Maíra questionava.

- Eu não sei, mas vai passar – garantiu Naiara, mesmo sem saber que o início do pesadelo estava apenas começando.

Pouco mais de dez minutos, as garotas puderam ouvir o carro de Humberto entrando na garagem e as duas correram para abrir a porta. Elas deram de encontro com Ângela que as abraçou com força, deixando as lágrimas descerem novamente.

A família ainda se abraçava na entrada da casa quando uma pessoa com algum surto de raiva apareceu no portão. Rosnando e tentando passar pela estrutura de ferro, a pessoa mostrava um grave ferimento no braço, semelhante a uma mordida. Assustados, todos entraram e trancaram a porta.

- Temos que ficar aqui dentro para não chamar a atenção destes loucos – explicou Humberto.

- Mas por quanto tempo vamos ter que nos esconder? – questionou Ângela.

- Pelo tempo necessário – rebateu – temos muita comida na dispensa, então podemos ficar quietos aqui – concluiu.

Os quatro permaneceram na sala e, após algum tempo, pegaram no sono depois de tanto estresse. O dia amanheceu e o silêncio que pairava ao lado de fora da casa era estranho para uma manhã de sábado. A primeira a acordar foi Naiara que, observando sua família adormecida, resolveu não acordá-los


Discretamente, a garota olhou pela fresta da cortina e viu o quanto sua rua estava deserta. Em dias normais no mesmo horário, haveriam crianças brincando e se divertindo pela rua, mulheres conversando em seus portões e o vizinho ao lado com certeza estaria lavando seu carro. Naiara concluiu que definitivamente algo de muito errado estava acontecendo. A jovem notava que as casas não estavam vazias, pois em vários momentos ela podia observar os vultos pelas janelas e sabia que aquelas pessoas estavam tão assustadas quanto ela.

- Será que é algum ataque terrorista? – o som da voz de Maíra ecoou de fundo, assustando Naiara que estava distraída em seus pensamentos.

- Que susto! – reclamou – Não sei Máh, mas vamos descobrir. Pegue o computador – pediu a irmã.

Maíra correu para o quarto para pegar seu notebook e, na mesma agilidade, voltou para a sala. As duas irmãs sentaram-se lado a lado e ligaram o aparelho. O som que o computador fez ao ligar despertou Ângela que estranhou suas duas filhas acordadas naquele horário. Logo, ela também percebeu que não se tratava de um final de semana comum.

- O que estão fazendo meninas? – questionou.

- Vamos pesquisar o que está acontecendo – Naiara respondeu e encontrou diversas manchetes.

“Terror no Brasil. 14 estados registram surto de raiva e canibalismo.”

“Exército é acionado em algumas regiões com maiores casos do surto misterioso”

“Brasil não está sozinho: Outros países divulgam o surto”

- Nada de concreto ainda – reclamou Naiara – tudo que está escrito nas notícias é o que já vimos.

- As pessoas estão loucas lá fora – dizia Ângela e continuou relatando o que viveu – fui atacada saindo do trabalho, um homem tentou me agarrar e, por sorte, consegui entrar no carro. Depois o pai de vocês atropelou uma pessoa que devia ter morrido com o impacto, mas sobreviveu e o atacou – Ângela demonstrava terror na voz.

- Silêncio! – desta vez a voz era de Humberto.

As mulheres da casa olharam atentas tentando entender o motivo pelo qual ele pediu silêncio. Um som estranho começou a percorrer o local e todos se olhavam na esperança de identificar o som. Humberto chamou todas para subir aos quartos para descobrir o que poderia ser. A visão assustava, pois diversas pessoas caminhavam pela rua lentamente e rosnando.

- Não podemos ficar aqui – disse Humberto – vamos esperar esses andarilhos passarem e vamos embora para a casa dos meus pais - disse a Ângela.

Voltando ao apartamento de Rafael e Ivone, a situação se complicou por lá. Após o incidente com Humberto e Ângela na rua, vários moradores desceram para socorrer a pessoa que o casal havia atropelado. O porteiro do prédio foi o primeiro a chegar ao local e sem explicação foi atacado pela pessoa que ainda estava no chão. Os outros andarilhos que estavam próximos também atacaram o pobre homem que não conseguia se defender.

A cena chocou as pessoas que estavam no jardim do prédio que gritavam com espanto. Os gritos chamaram a atenção destes loucos que desistiram do porteiro, o qual já estava morto, e seguiram em direção aos moradores do edifício. Um pequeno grupo conseguiu entrar no elevador, deixando Rafael, Ivone e uma terceira pessoa para trás. Os canibais alcançaram esta pessoa e, da mesma forma, atacaram-na.

Em pânico, mas com espírito solidário, Ivone tentou ajudar e resultado foi uma mordida no braço, causando um profundo ferimento. Rafael puxou sua tia e os dois seguiram em direção às escadas subindo até seu andar e trancando-se no apartamento.

Horas depois, Ivone estava com uma febre aguda, sua tonalidade estava pálida e a mulher transpirava muito. Com aparência cansada, Ivone repetia o nome de seu filho diversas vezes.

- Atende! Atende! – dizia Rafael a si mesmo tentando ligar para Mathias.

“Sua chamada está sendo encaminhada para a caixa postal e ...”

- Que droga! – Rafael não sabia o que fazer.

- Onde está o Mathias? Preciso dele! – dizia Ivone com muita dificuldade.

- Calma tia. Tenho certeza que ele já está a caminho – Rafael a tranquilizava, enquanto pegava o celular para tentar contato com Mathias novamente.

CONTINUA…







Capítulo III

Escrito por: Mike Oliveira
Art Visual: Juliano Cesar
Revisão: Luara Leão + Carol Soares

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