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Zombie Planet: Ninguém está a salvo (Capítulo III)


Confira o terceiro capítulo da  fanfic original TPJ, Zombie Planet.

Personagens


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 Zombie Planet
Primeira Temporada
Capítulo III – Ninguém Está a Salvo

A movimentação no hospital cresce a todo o momento, em todos os minutos entram pessoas com ferimentos pelo corpo, mordidas e arranhões. Uma mulher entra desesperada e corre em direção ao balcão de atendimento.

- Meu filho! – dizia ofegante – Me ligaram informando que ele está aqui.

- Senhora, qual o nome do paciente? – perguntava a atendente.

- Tiago Oliveira Pedroso – respondeu de imediato.

- Localizei, o que a senhora é dele? – questionava novamente a atendente.

- Eu sou mãe, só me diga onde ele esta – suplicava a mulher.

- Aguarde um momento que o médico já está vindo – disse a atendente em tom meio seco.

A senhora resolve sentar-se e aguardar, afinal sabe como o hospital funciona e fazer escândalo não adiantaria de nada. Era início de noite, o clima começava a esfriar com o céu coberto de nuvens cinza, mas sem previsões de chuvas. A mulher que no susto esqueceu o casaco em casa, começava a sentir frio e encolhia-se na cadeira enquanto aguardava o doutor.

A mulher com a preocupação crescendo a cada instante resolve ligar novamente para o marido e cobrar a presença do mesmo.

- Carlos, onde você está? – pergunta com irritação na voz.

- Não consigo sair daqui agora – respondia o homem do outro lado da linha – estou preso aqui e estou a caminho do centro para controlar um grupo de baderneiros – concluía.

- Mas preciso de você aqui! – disse a mulher.

- Silvia! Já solicitei a dispensa e assim que resolver o caso do centro vou correndo até o hospital.

O pai de Tiago era policial há 10 anos e tinha orgulho de sua profissão, pois protegia a população. Sua mãe era professora e abandonou a profissão quando a saúde de seu filho se tornou instável. Silvia dedicou a cuidar de Tiago e grande parte de sua educação foi em casa.

- Silvia Vinhares Pedroso é a senhora? – ecoou uma voz firme e grossa, logo chamando sua atenção.

- Sim, sou eu! Você é o doutor que esta cuidando do meu filho? Como ele está? Posso vê-lo? – disparou um enorme interrogatório ao médico.

- Seu filho está bem. No momento ele está sedado e passando por alguns exames – iniciou o médico – ele foi encontrado desmaiado na rua. Sua pressão estava baixa quando chegou aqui e como ele bateu a cabeça resolvemos realizar exames de praxe para verificações.

- Quando posso vê-lo doutor? – perguntou Silvia.

- Em breve! – respondeu o médico.

O médico continuava dando explicações a Silvia quando enfermeiros entraram com um homem amarrado em uma maca. O indivíduo estava todo ensanguentado e se debatia com muita raiva.

- Mais um caso? – perguntou o médico – Levem-no e deixe na sala junto com os outros.
- O que ele tem? – perguntou Silvia.

- Não sabemos ainda – respondeu o médico.

A visão que temos agora são as horas se passando dentro do hospital e o caos se instalando. Pessoas feriadas devido aos ataques começaram a aglomerar dentro do local. Todos queriam atendimento e soluções, mas os médicos não sabiam o que fazer com tantas pessoas. Algumas depois de determinado tempo começaram a agir com agressividade, atacando outras pessoas. Uma confusão e corre-corre de grandes proporções tomaram conta do hospital.

Na confusão Silvia perdeu o contato com seu marido, sendo que este não atendia mais o celular e nem apareceu no hospital. A única solução que a mulher imaginou seria tirar seu filho daquele local o mais rápido que pudesse. Perambulando pela emergência a senhora deparou-se com o mesmo homem que havia visto horas antes entrando amarrado na maca. O homem começou a caminhar lentamente em direção a Silvia que ficou paralisada de medo ao notar os grandes ferimentos que o senhor possuía em seu corpo. Quando notou o indivíduo estava frente a frente com ela e esta não teve muita oportunidade de se defender.

Horas mais tarde a aparência do hospital é pura destruição e sujeira. Havia papéis jogados para todos os lados, vidros quebrados, marcas de sangue no chão e nas paredes, além de corpos pelos corredores e salas. O dia está amanhecendo e o silêncio toma conta do local, pequenos ecos e grunhidos podem-se ouvir pelos corredores.

Numa sala fechada Tiago desperta com falta de ar. O jovem estava incubado e não conseguia respirar por este motivo. Com muita dificuldade e agonia ele consegue se livrar do equipamento e não consegue controlar a náusea. Logo percebe que por mais uma vez encontra-se num hospital, local que se tornara a segunda casa, mas estranha o silêncio e a falta de companhia dentro da sala.


Tiago abre a porta lentamente e observa o corredor vazio, com as luzes piscando, objetos pessoais de visitantes e pacientes jogados pelo chão e muita desordem. Caminhando pelo local o rapaz viu uma porta aberta e resolveu entrar. O arrependimento bateu no ato, pois o que presenciou nunca tinha visto, um corpo sobre uma maca totalmente dilacerado, como se um animal feroz tivesse atacado a pobre vítima.

A reação de Tiago foi caminhar pra trás até pisar em algo que furou seu pé. Ele abaixou e pegou um pingente de ouro igual ao que sua mãe possuía. O jovem tinha quase certeza que aquele objeto era dela e isto o deixava preocupado.

- Será que minha mãe está por aqui ? – disse em voz baixa a si mesmo.

Ele continuou caminhando pelos corredores e avistou um homem sentado com as roupas ensanguentadas que pelas vestimentas devia ser um enfermeiro. Conforme se aproximou o senhor notou sua presença.

- Sai de perto de mim – disse o homem assustado.

- Você está bem? – perguntou Tiago.

- Ah! Você não é um deles! – disse o homem aliviado, mas com a voz fraca.

- O que aconteceu aqui? Eu estou confuso! Acabei de ver uma pessoa totalmente dilacerada – disse Tiago sem perceber que o homem estava gravemente ferido.

- O fim do mundo! – disse o homem abaixando a cabeça.

- Meu Deus! Agora que eu vi seu ferimento – notou – vou pedir ajuda para algum médico – disse inocentemente.

Mesmo fraco o enfermeiro riu e percebeu que realmente Tiago não fazia ideia do que estava acontecendo.

- Meu jovem, saia daqui – iniciou – busque um lugar seguro e não confie em ninguém.

- Eu achei o pingente da minha mãe – disse Tiago – ela provavelmente está por aqui.

- Não – disse o moribundo de forma áspera – provavelmente ela não está mais, faça o que eu disse – concluiu.

Tiago ouviu o som de passos vindo atrás dele e virou para verificar. O mesmo corpo que estava jogado na maca estava caminhando neste instante em sua direção com órgãos caindo de sua barriga. O choque foi imenso que Tiago deu um pulo para trás e tropeçou nas pernas do enfermeiro que o fez cair.

Engatinhando de costas enquanto não conseguia tirar os olhos do morto vivo, Tiago imaginava que iria morrer. O enfermeiro chamou a atenção da criatura para si que o atacou com mordidas no peito.

- Fuja garoto! Fuja! – disse o homem enquanto gritava de dor. Tiago levantou-se e correu para a saída do hospital e a luminosidade quase o cegou quando conseguiu sair das dependências do local. Um helicóptero passa exatamente no momento que o jovem saía do hospital, voando baixo e lentamente a aeronave era identificada com o logo de uma emissora de TV. Dentro da cabine uma repórter narrava a visão que tinha das ruas.

- Estamos sobrevoando o centro da cidade onde podemos ver muita bagunça pelas ruas - narrava a repórter - vemos carros abandonados, muita sujeira que o surto repentino dessa misteriosa doença causou - descrevia a situação - ainda não temos posição do governo perante a essa onda de horror que nos assolou. Os governantes pediram que os cidadãos não saiam de casa e tomem cuidado com quem se aproxima - orientou - em poucas horas a cidade se transformou e se não tomarmos cuidado a situação pode ficar ainda pior - concluiu.

Mathias assistia o noticiário no momento e reconheceu a região, o helicóptero sobrevoava uma rua vizinha a sua e de seu apartamento conseguia ouvir o barulho da aeronave. Inconformado com a falta de comunicação com sua mãe, ele tenta ligar a cada cinco minutos, mas nunca consegue. Do outro lado da tela sua namorada tenta o tranquilizar e ajuda nas ligações, também sem sucesso. Seu primo não esta conectado na rede o que faz Mathias pensar no pior, já que Rafael fica conectado em suas redes sociais o dia todo.

- Amigo, vou ter que ir lá – disse Mathias - não consigo ficar aqui, pensando que eles podem... – o jovem não conseguiu finalizar a frase.

- Relaxa companheiro – disse Jorge – te entendo, também estou morrendo de preocupação com minha filha. Vou com você.

- Você não precisa ir – disse Mathias – pode ficar aqui em segurança. Vou trazê-los pra cá – concluiu.

- Jovem, desculpa! Mas depois do que eu vi, você não tem muitas chances lá fora sem alguém como eu para te ajudar – disse Jorge com um leve sorriso esnobe no rosto.

Mathias ficou constrangido com a ironia de Jorge, mas ao mesmo tempo aliviado com a presença do ex-militar em sua jornada até a casa de sua mãe. O contador correu até o quarto, pegou uma mochila, guardou uma muda de roupa, seu laptop, alguns acessórios e já preparava-se para sair de casa quando foi interrompido por Jorge.

- Você se prepara para a viagem, mas não pega o principal? – disse o homem.

- Peguei tudo, roupas limpas, o notebook para me comunicar com minha namorada, duas garrafas d’água e alguns itens que possam ser necessários – respondeu Mathias.

- Ótimo! Se você fosse passar um final de semana na praia – recrutou ironicamente – você está seguindo para a guerra lá fora e age como se nada estive acontecendo – disse em tom mais sério – eu vi pessoas morrerem e minutos depois matarem outras pessoas.

Mathias ficou parado ouvindo o discurso de Jorge sem tomar nenhuma atitude. O ex-militar foi até a cozinha e pegou duas facas grandes, dando uma a Mathias. Na lavanderia ele achou a caixa de ferramentas, pegando a maior chave de fendas. Na verdade era o que de mais perigoso havia na casa para poder ser usado em combate corpo a corpo.

- Agora sim estamos prontos – orientou Jorge – não vamos atacar ninguém. Correr é sempre a primeira opção. Só iremos atacar para nos defender – concluiu.

Mathias balançou a cabeça assentindo com Jorge que deu dois tapinhas em suas costas, com um sorriso de esperança no rosto que ao mesmo tempo transmitia coragem e determinação. Pelo olho mágico Mathias verificou se não havia ninguém no corredor, abriu a porta lentamente e os dois companheiros caminharam lentamente pelo corredor do andar. Jorge tomou frente e começou a descer as escadas do edifício enquanto Mathias permanecia em seu encalço sem ficar para trás.

Dois andares abaixo eles se deparam com uma mulher na ponta da escada e reconhecem ser a mesma que atacou Jorge assim que ele chegou ao prédio. O ex-militar fez um sinal de silêncio a Mathias e com um gesto pediu que o rapaz ficasse ali. Ele desceu os degraus suavemente para não fazer barulho, mas não foi suficiente. A mulher deve ter sentido sua presença e virou-se como se soubesse que ele estava ali pronto para atacá-la. Ela foi mais rápida e avançou em Jorge que a empurrou, chamando Mathias para que continuassem descendo.

Eles começaram a descer as escadas correndo, aos pulos e pressa. Logo despistaram a louca que os perseguiam, mas encontraram algo pior chegando ao hall do edifício. Mathias que ia a frente escorregou numa pequena poça de sangue que havia no chão e caiu. Jorge que o seguia pulou por cima do rapaz já atacando os moribundos que estavam no saguão. O homem percebeu que o elevador estava no andar e apertou o botão para que as portas se abrissem. Com um empurrão ele jogou uma das pessoas dentro do local e fechou as portas. Com murros ele derrubou outro e na sequência fincou sem querer a chave de fenda no olho de uma criança que também tentara o atacar.

Quando notou que havia acabado de matar uma criança, lembrou-se imediatamente de sua filha que poderia estar na mesma situação que aquela pequena criaturinha. Rapidamente recuperou-se do momento de fraqueza, olhando para trás percebeu que Mathias ainda estava caindo e que o moribundo que havia socado estava rastejando até ele. Jorge pisou forte nas costas da criatura, impedindo que o mesmo continuasse se movendo.

- Levanta rapaz, você tem que ser mais forte do que isso – disse Jorge com firmeza – nem saímos do seu prédio. Se continuar assim não chegará a casa de sua mãe – concluiu.

Ao sair do edifício Jorge vê uma pessoa de costas para eles próximo ao portão, imaginando ser um inimigo ele caminha lentamente para abatê-lo antes de ser abatido.
Ao se aproximar Tiago vê a sombra de Jorge e vira-se disparando um soco automaticamente tentando se proteger. O homem pega o jovem pelo colarinho, olhando fixamente em seus olhos com ar de ameaça e o puxa para próximo de si.

- Foi mal – disse Tiago – me assustei e foi no impulso. Você são as primeiras pessoas normais que encontro. Só tem loucos na rua.

- Seu soco foi como uma suave brisa moleque – disse Jorge – mas é melhor tomar cuidado.
Jorge soltou Tiago que ainda cambaleou com o tranco. O ex-militar reparou nas roupas do jovem e entendeu que ele provavelmente estava no hospital e mandou que Mathias entregasse a muda de roupas que havia guardado na mochila. Mathias aparentemente não gostou da ideia, mas não discutiu e entregou as roupas a Tiago.

- Onde posso me trocar? – perguntou Tiago.

- Aqui mesmo e rápido – retrucou Jorge.

- No meio da rua e com vocês olhando? Acho que não – rebateu Tiago.

- Se quiser pode entrar no prédio, só não sei se sairá vivo – respondeu Jorge e continuou -  para de frescura e anda logo.

Tiago se apressou e trocou as roupas do hospital pelas roupas limpas e quando notou Jorge e Mathias já estavam bem à frente caminhando. Ele correu até os dois que pararam e começaram a encarar tentando entender porque o rapaz estava seguindo-os. Jorge olhou para Mathias com uma expressão de “tanto faz” e continuaram a caminhada enquanto Tiago os acompanhava em silêncio.

O trajeto até o apartamento de dona Ivone foi tranquilo, apenas alguns quarteirões e poucos andarilhos no caminho que eram facilmente despistáveis. Os três entram no edifício que estava com os portões abertos e subiram sem transtornos até o apartamento da mãe de Mathias.

- Mãe? Rafa? – dizia Mathias ao entrar no apartamento e sem obter respostas.

O contador caminha pela sala enquanto Jorge e Tiago permanecem atentos na porta, prontos para ajudar no que for preciso. Ouvindo um som estranho Mathias vê sua mãe batendo na porta do banheiro e chama por ela.

- Mãe! A senhora esta bem? – pergunta Mathias preocupado, mas com um leve sorriso no rosto.

Dona Ivone para de bater na porta e lentamente vira o rosto para Mathias. O jovem repara no olhar frio e avermelhado da mãe, os cabelos estão úmidos e a pele pálida. Ela começou caminhar em direção a ele rosnando e Mathias só a perguntava o que estava acontecendo sem perceber que a mulher estava como todos os outros andarilhos que haviam encontrado na rua.

Zumbificada, Ivone ataca Mathias que cai ao chão com o impacto e força que sua mãe o agarrara. Segurando-a pelos ombros, o jovem impede que a mãe o morda e repete diversas vezes por que ela está fazendo aquilo com ele. Jorge corre para ajudar o companheiro, ele puxa os cabelos de Ivone e enfia a chave de fenda no ouvido da mulher que cai morta por cima de Mathias.

- Ela não era mais sua mãe – disse Jorge friamente.

CONTINUA...



Capítulo IV

Escrito por: Mike Oliveira
Art Visual: Laís Piai + Juliano Cesar
Revisão: Luara LeãoCarol Soares

Zombie Planet: Ninguém está a salvo (Capítulo III) Zombie Planet: Ninguém está a salvo (Capítulo III) Reviewed by MK Friend on 5.6.15 Rating: 5

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