Header AD

Zombie Planet: Não há Fuga (Capítulo IV)


Confira o quarto capítulo da  fanfic original TPJ, Zombie Planet.

Personagens


Capítulo Anterior

 Zombie Planet
Primeira Temporada
Capítulo IV – Não há Fuga

O corpo de Ivone cai sobre Mathias que está paralisado no chão. O sangue escorre e atinge o peito do jovem que não compreende o que acabou de acontecer naquela sala levemente escura com as cortinas fechadas. O silêncio domina o local, Tiago permanece na porta com os olhos arregalados como se tivesse visto um fantasma diante de si. Jorge se afasta de Mathias percebendo que pode ter tomado uma decisão precipitada, mas só a fez para salvar Mathias de algo pior.

Mathias delicadamente afasta o corpo de Ivone para o lado, ele levanta-se lentamente e permanece sentado ao chão, com ar de perturbação. Ele passa as mãos pela camiseta e sente o sangue gelado, levando as palmas das suas mãos até a frente do rosto ele observa com expressão de espanto tudo aquilo. Mathias vira o rosto para observar sua mãe e finalmente começa a chorar ao perceber que ela está morta. Ainda com lágrimas caindo de seus olhos Mathias disparou um olhar odioso a Jorge e o ex-militar percebeu que o jovem ainda não tinha assimilado toda a situação com clareza.

- Por quê? – disse Mathias.

- Se eu não tomasse atitude, ela poderia te matar – explicou Jorge com dificuldade e gaguejando – nós já vimos o que eles fazem quando se transformam – continuou – se tornam monstros – concluiu.

- Ela não era um monstro – disse Mathias – era minha mãe e você a matou seu filho da puta.

- Ela não era mais sua mãe – rebateu Jorge tentando mostrar a verdade a Mathias – sua mãe te atacaria?

Mathias permaneceu alguns segundos sem responder e de cabeça baixa como se tentasse entender tudo que estava acontecendo ali. Ele olhou para o lado e observou o corpo de Ivone de bruços no chão totalmente inerte. Ainda não chorando o jovem virou o corpo de modo que pudessem ver o rosto da mulher. Pálida e com os olhos entre abertos, Mathias viu o amarelado em seus olhos e o ferimento no braço que o deixou intrigado.

O jovem voltou a direcionar o olhar para Jorge, apoiou as mãos ainda ensanguentadas no chão para levantar-se e ficando frente a frente com o senhor que o observava sem entender o porquê do semblante ameaçador no olhar. Sem muitas palavras Mathias dispara um soco contra Jorge que cambaleia para trás. Com a mão no rosto o ex-militar não reage e apoia-se numa mesa para se recuperar do golpe. Mathias não parecia satisfeito e deu um impulso para continuar a agressão quando uma voz ecoou de fundo e Mathias reconheceu virando-se com ar de alivio.

- Mathias! – disse a voz tremula de Rafael.

- Você está bem? – pergunta Mathias indo em direção ao primo e o abraçando com força;
 
- Estou! Mas a tia enlouqueceu – disse Rafael engasgado e observando o corpo no chão – ela ficou muito mau, com febre e baixa pressão. Tentava falar com você, mas não conseguia – disse o youtuber com dificuldade pela forte emoção – em um momento pensei que ela tinha morrido, mas do nada ela levantou e tentou me agarrar, me morder. Eu a empurrei e corri me trancando lá.

- Ela está morta agora – disse Mathias com muita tristeza na voz.

- Ela morreu hoje de manhã – disse Rafael olhando nos olhos de Mathias – isso é o que acontece com as pessoas que são infectadas – alertou Rafael – está passando na TV.

Mathias recuou olhando fixamente para o primo aceitando a realidade que sua mãe não estava mais viva e que Jorge só estava tentando ajudá-lo. Ele sentou no sofá e disparou a chorar novamente com a cabeça entre os joelhos e com as mãos na cabeça.

- Tirem-na daqui – disse Mathias aos soluços.

Mesmo sem conhecer os visitantes de sua casa Rafael orientou Jorge para onde levar o corpo de Ivone, mostrando-lhe seu quarto. Após orientar o ex-militar, Rafael sentou-se ao lado do primo para consolá-lo, mas a emoção tomou conta de si e os dois choraram pela perca.

As horas se passavam e Mathias permanecia deitado no sofá como se tivesse em transe por conta dos últimos fatos. Rafael já havia interagido com Jorge e Tiago e contado como tudo aconteceu. Jorge que era um homem inteligente ligou os fatos e desconfiava que a mordida tinha sido a causadora da infecção. O ex-militar não guardava rancor do golpe que levou de Mathias, pois entendia que aquilo não bastava do calor da emoção e mesmo com a bochecha um pouco inchada continuava conversando com os garotos.

- Eu penso que meus pais estão mortos – disse Tiago.

- Você não tentou ir para casa verificar – perguntou Jorge.

- Encontrei esse pingente no hospital – disse Tiago, mostrando o objeto a Jorge e Rafael – estava próximo ao meu quarto e tenho certeza que era dela.

- Sinto muito – disse Jorge.

- Eu também – disse Rafael – imagino o que você está sentindo.

A conversa foi interrompida pelo som de um celular tocando. Os três rapazes pegaram seus aparelhos simultaneamente, mas não era de nenhum deles que tocava. O som vinha do bolso de Mathias que com o soar despertou e apressava-se para atendê-lo.

- Alô! – disse Mathias – que bom ouvir sua voz, estava morrendo de preocupação – conversava com alguém do outro lado da linha. Rafael logo concluiu que era a namorada e disse aos rapazes de quem se tratava – tenho uma péssima notícia…

Enquanto conversava com sua namorada, Mathias abre a porta da varanda e vai até o local para não perder o sinal do aparelho.

- O que vamos fazer agora? – pergunta Tiago.

- Assistir os noticiários para buscar informações de para onde podemos ir – responde Jorge.

Os três começam a assistir o noticiário e as notícias não são das melhores. O surto se espalhou rapidamente pelo estado, assim como pelo país. Não foi descoberta a origem do que está causando a doença, mas médicos e cientistas afirmam que os infectados estão mortos e possuem o impulso primordial do ser humano, que é alimentar-se.

- Eles são zumbis então – afirma Rafael.

- Estamos vivendo num game de terror – complementa Tiago.

- Não delirem fedelhos – rebate Jorge – tudo tem que ter uma explicação lógica – diz irritado levantando-se – esse negócio de zumbi não existe e é tudo ficção – conclui.

- Não é o que o âncora do jornal acabou de dizer – dispara Rafael meio irônico.

Antes que Jorge pudesse defender seu argumento que zumbis são apenas contos de terror para filmes e séries uma forte explosão abala o prédio. Na esquina da rua onde Mathias e seu grupo estavam possuía um posto de gasolina e um carro desgovernado chocou-se com o tanque que explodiu no ato. O forte som e impacto da explosão fez com que Mathias caísse no chão e seu celular despencou andares abaixo.

Rafael correu para a varanda para ajudar seu primo a levantar e observar o estrago causado pelo acidente. Jorge e Tiago fizeram o mesmo e repararam que o som começa a atrair andarilhos em direção ao posto de gasolina. Inclusive muitos saíam do edifício que estavam.

- Tenho que ir ao encontro da Cíntia – disse Mathias.

- Quem é Cíntia? – pergunta Jorge confuso.

- Minha namorada – responde Mathias – ela esta junto com sua família e alguns vizinhos no prédio onde mora – explica – o lugar ainda está intacto e eles não pretendem sair. Isso os deixará seguros e eu prometi que iria.

- Estou contigo primo – disse Rafael.

- Vou com vocês aonde forem – Tiago se auto convida.

- Onde ela mora? – pergunta Jorge.

- Numa cidade vizinha – disse Mathias – de carro é aproximadamente quarenta minutos.
 
- Não sei se é uma boa ideia – disse Jorge com ar de reprovação.

- Vou com ou sem você – rebate Mathias – não posso perder outra pessoa que amo.

O som da explosão foi tão alto que distante dali, na casa de Humberto e Ângela, todos puderam ouvir o estrondo. Os poucos andarilhos que estavam andando pela rua foram atraídos pelo som e seguiram na direção do mesmo, dando oportunidade a Humberto de executar seu plano de fugir dali com sua esposa e filhas. O plano era simples, abastecer o carro com suprimentos e acessórios que fossem úteis e seguir para casa de seus pais o mais rápido possível. Ele tentava contato com os senhores, sem sucesso, mas tinha em mente que os encontraria em casa são e salvos.

Todos corriam para colocar tudo que pudessem dentro do carro e não chamar possíveis atenções indesejadas. Tudo parecia correto, o carro estava abastecido com tudo que pudessem precisar, a família trancou a porta, Ângela entrou no carro pelo lado do passageiro e na sequência Naiara e Maíra nos bancos traseiros do carro.

Humberto ficou por último para abrir o portão e assim iniciar a viagem em direção a casa de seus pais. O homem esqueceu-se de verificar se a rua estava realmente deserta, ele abriu o portão e seguiu para o carro.

- Pai! Atrás de você – gritou Naiara.

Humberto virou e se deparou com um zumbi que o atacou de imediato. Com o susto Humberto mal conseguiu se defender da criatura, recebendo uma mordida no ombro esquerdo. Ele empurrou o zumbi, um homem de aparentemente trinta anos que possuía uma mordida na bochecha tão profunda que se podiam ver os dentes.

Rapidamente Humberto entrou no carro. Suas filhas estavam em pânico e Ângela queria fazer um curativo nele para estancar o sangramento. O zumbi começou a bater no vidro do carro, assustando ainda mais a família. Humberto ligou o carro, dando ré para a rua e cantando pneu, fugindo assim de sua casa.

IV.II. Pegando a Estrada

Jorge tentava fazer uma ligação direta em um carro que encontraram na garagem do prédio de Rafael. Após algumas tentativas o carro ligou e Jorge estava pronto para partir. Junto com o ex-militar na frente do automóvel estava Mathias que iria guiá-lo até onde sua namorada morava e atrás Rafael e Tiago.

Jorge dirigia pelas ruas da cidade e o cenário era precário. A desordem assemelhava-se a uma guerra com apenas 24 horas do surto. As ruas estavam imundas, com carros abandonados ou acidentados, pertences de pessoas jogados no chão, corpos mutilados pelas ruas, um ou outro sobrevivente se escondendo nas sombras ou correndo em direção ao carro para pedir socorro, sendo sempre ignorados por Jorge e muitos zumbis vagando sem rumo.

Para chegar a cidade onde Cíntia morava era necessário passar por um rodovia. Após algum tempo dirigindo por dentro da cidade, o grupo pega uma saída que caía direto na rodovia para que possam seguir viagem, contudo pouco a frente eles foram obrigados a parar. Um grande congestionamento bloqueava o caminho. Todos os carros estavam abandonados, dando a entender que as pessoas fugiram dali as presas como se algo muito ruim tivesse acontecido ali.

- Daqui vamos a pé – disse Jorge dando de ombros.

- Como assim? - questionou Tiago – daqui a pouco vai anoitecer.

- Caminhamos rápido até o fim dessa fileira de carros e lá na frente pegamos outro – respondeu Mathias saindo do automóvel.

O grupo caminhava rápido, porém cautelosamente entre os carros, prestando atenção para não encontrar nenhum zumbi por lá. Em determinado momento Rafael assustou-se ao passar do lado de um carro que tinha um zumbi dentro, o pulo do jovem youtuber garantiu o sorriso de seus companheiros.

Pouco a frente Jorge parou os rapazes pedindo silêncio. No ar podiam ouvir grunhidos não tão distantes e pareciam muitos. O ex-militar subiu em um dos carros e observou que próximo a eles caminhando em sua direção havia um pequeno grupo de zumbis que poderiam lhes dar muita dor de cabeça. Rapidamente ele desceu e mandou todos entrarem em baixo dos carros para não serem vistos.

Não demorou muito para que os zumbis chegassem até eles caminhando lentamente. Todos ficaram tensos com a situação, pois imaginavam que a qualquer momento seriam vistos e o plano iria por água a baixo. Enfim todas as criaturas passaram e nada de anormal aconteceu. Tiago foi o primeiro a sair de seu esconderijo e não contava com a surpresa que um zumbi atrasado ainda passava por ali o vendo.

Com a surpresa desagradável Tiago soltou um grito que chamou a atenção dos zumbis que estavam a frente, fazendo com que retornassem em direção ao grupo. Jorge agiu rápido e com uma facada cortou profundamente o rosto da criatura que caiu ao chão. O corte não foi suficiente para aniquilar o zumbi que se levantou. Jorge puxou Tiago para saírem dali, Rafael já estava mais a frente juntando-se a Mathias na fuga.

Os zumbis ficaram para trás com sua lentidão e logo o grupo saíra novamente no ponto de partida, onde haviam abandonado o carro. Eles continuaram caminhando na esperança de achar um lugar para se esconder, afinal estavam numa rodovia sem muitas opções de esconderijo.

No horizonte eles puderam ver um carro se aproximando em alta velocidade, vindo certeiramente em sua direção. Os quatro homens pararam achando que o veículo faria o mesmo, mas estavam enganados. O carro permaneceu em alta velocidade e praticamente estava os alcançando. Mathias, Rafael e Jorge correram para o canto da estrada, entretanto, Tiago ficou paralisado com a situação e certamente seria atropelado pelo veículo. O carro começou a frear, mas não seria suficiente para evitar o acidente. Jorge correu e com uma cena digna de cinema, saltou e empurrou Tiago para fora do alcance do carro. Os dois homens saíram no chão enquanto o veículo passava de raspão por eles.

Com a freada brusca o condutor perdeu o controle e o automóvel capotou três vezes antes de parar no canteiro da estrada. Os quatro integrantes do grupo ainda estáticos não sabiam como reagir ao acontecido.

- Vamos sair daqui – disse Jorge – com certeza o barulho vai chamar atenção dessas criaturas. Podem ter vários nessas matas.

- Não! Temos que verificar se existem sobreviventes – rebateu Rafael já correndo em direção ao carro.

Por sorte o carro não parou de cabeça para baixo e isso facilitaria muito para ajudar caso houvesse sobreviventes. Com muita fumaça saindo pelo capô, Rafael chegou primeiro no lado do motorista e viu um homem com a cabeça estourada no volante, sem vida. Mathias por sua vez verificou o passageiro e achou uma mulher presa nas ferragens, ela estava um pouco tonta, mas expressava alguns movimentos.

- Minhas filhas – dizia a mulher com muita dificuldade e bem baixo.

Ao ouvir isto Mathias observou os bancos traseiros e viu duas garotas que não conseguia identificar se estavam vivas ou mortas. Jorge e Tiago finalmente se aproximaram para poder ajudar. Jorge socorreu a que possuía menos ferimentos, com certeza por estar usando o cinto de segurança. O homem a deitou no chão e verificou seus pulsos que aparentemente estavam normais.

- Minhas filhas – dizia a mulher novamente.

- A senhora está bem? – Mathias fazia uma pergunta fora do momento.

- Óbvio que não está – respondeu Jorge se aproximando.

Tiago e Rafael tinham tirado juntos a outra garota que possui um galo enorme na testa, além de aparentemente estar com a perna torcida.

- Vamos te tirar daqui – disse Jorge a mulher.

- Não, salvem somente minhas filhas – disse a mulher – eles estão chegando – disse apontando para frente onde a horda de zumbis que perseguiam o grupo se aproximava.

- Não podemos te deixar aqui – rebate Jorge.

- Vocês não vão conseguir me tirar a tempo – respondia a mulher – tirem Naiara e Maíra daqui, eu suplico. Salvem minhas filhas – implorava Ângela.

Sem dizer mais nada Jorge recuou e olhou para Mathias que entendeu o recado que deveriam partir dali. Jorge pegou no colo Maíra que estava mais sensível devido aos ferimentos, enquanto Mathias segurava Naiara. Eles saíram dali com pressa enquanto ouviam os gritos de Ângela sendo devorada viva.

CONTINUA...


Próximo Capítulo
Capítulo V - 01 de Julho

Escrito por: Mike Oliveira
Art Visual: Laís Piai
Revisão: Luara LeãoCarol Soares

Zombie Planet: Não há Fuga (Capítulo IV) Zombie Planet: Não há Fuga (Capítulo IV) Reviewed by MK Friend on 17.6.15 Rating: 5

Post AD