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Zombie Planet: O Início do Fim (Capítulo I)


Confira o primeiro capítulo da primeira fanfic original TPJ, Zombie Planet.

Personagens

Jorge Augusto / Tiago Oliveira / Naiara Versatti / Vinicius Viduolis / Mathias Figueiredo / Rafael Gregório

Zombie Planet
Primeira Temporada
Capítulo Piloto - O Inicio do Fim

Mais um dia corriqueiro no escritório de contabilidade se encerrou e Mathias estava pronto para retornar a sua casa. O trajeto era longo e o rapaz de 26 anos não via a hora de chegar a sua casa, tomar um banho relaxante, preparar uma comida rápida, se jogar no sofá enquanto assiste à TV e conversa com sua namorada pelo celular ou Skype.

No caminho, próximo ao centro da cidade Mathias percebeu certa movimentação estranha e uma aglomeração de pessoas, algumas gritavam e outras tentavam separar dois indivíduos que estavam se atracando no chão. Logo imaginou ser uma briga, o que, de fato, é normal no horário de pico numa cidade grande. O estresse das pessoas, nesses horários, está no auge e qualquer esbarrada é o suficiente para gerar uma confusão desenfreada. Mathias ignorou a situação e continuou em seu destino.

Outro detalhe que Mathias notou antes de chegar ao metrô foi a quantidade de ambulâncias percorrendo as ruas do centro, sempre em alta velocidade e com as sirenes ligadas, deixando as ruas velhas e estreitas em tons avermelhados. O clima daquela noite era agradável, nem muito quente ou frio, a temperatura perfeita para uma noite de sexta-feira em pleno verão. Ao lado da estação, havia um barzinho, o qual já estava cheio de pessoas comemorando o básico happy hour, e Mathias sentiu-se tentado a puxar uma cadeira para tomar uma cerveja bem gelada, mas o cansaço falou mais alto e o jovem tomou a decisão que salvaria sua vida: ir para casa.

Quando chegou ao prédio onde morava, Mathias foi abordado pelo porteiro, que chegou com um papo estranho sobre um novo estilo de manifestação que estava ocorrendo nas ruas.

- Boa noite, doutor Mathias – disse o porteiro.

- Boa noite, seu Zé – cumprimentou – já disse que não sou doutor – Mathias concluiu.

- O senhor que está chegando da rua, viu algum desses protestos? – perguntou.

- Não vi nada, o que está acontecendo? – Mathias perguntou curioso.

- Uns malucos estão protestando atacando outras pessoas – disse o porteiro – pelo menos é isso que a TV está dizendo – concluiu.

- Não vi nada, Zé. Agora vou subir que estou muito cansado – Mathias lembrou-se do ocorrido no centro da cidade, onde presenciou o ataque, porém não quis dar motivos para Zé fazer mais perguntas, impedindo-o que finalmente chegasse ao seu apartamento.

Entrando em seu apartamento, Mathias acendeu a luz da sala e jogou sua mochila no sofá, afrouxando sua gravata. Caminhando até o quarto e deixando os sapatos pelo corredor, pegou uma muda de roupas no guarda roupa, voltou até a lavanderia para pegar a toalha pendurada no varal, ligou a TV e foi tomar seu banho.

Enquanto se lavava, ouvia as notícias na televisão, sendo o assunto do momento uma série de ataques em diversas partes da cidade. O ato estava sendo discutido como forma de protesto nas redes sociais por um grupo de pessoas anônimas. Em contrapartida, alguns legistas, que acompanhavam os casos, diziam que se passava um surto de raiva.

O celular de Mathias começou a tocar e o jovem se enrolou na toalha para poder atender à ligação. Do outro lado da linha, falava sua namorada preocupada devido a todas as noticias da TV.

- Oi, meu amor – disse Mathias ouvindo atentamente – está tudo bem comigo. Já estou em casa e seguro – tranquilizou-a – Isso deve ser só mais algum protesto ridículo que esses jovens desocupados estão fazendo – dizia Mathias, sem entender muito bem o que estava acontecendo – Fica calma e não sai de casa hoje. Amanhã é sábado e vou até ai para passarmos o final de semana juntos.

Os dois acabaram mudando de assunto e conversaram por algum tempo sobre a rotina que levaram durante o dia. A namorada de Mathias era alguns anos mais nova, estudante e morava com a mãe adotiva e seu irmão gêmeo, do outro lado da cidade. O casal revezava a estadia todo final de semana no apartamento de um ou de outro. Pouco tempo depois, se despediram, prometendo se encontrar no dia seguinte, fato que talvez não acontecesse.

Com preguiça de cozinhar, Mathias imaginou que seria um ótimo momento para uma pizza e, sem perder tempo, discou para sua pizzaria favorita, próxima ao seu apartamento. Realizando o pedido, o jovem resolveu organizar seu apartamento, guardando a mochila em seu quarto, recolhendo os sapatos do corredor, esticando a toalha novamente no varal, lavando a louça do café da manhã, colocando algumas roupas para lavar na maquina entre outros afazeres e, mesmo depois de todos feitos, sua pizza ainda não havia chegado.

Uma hora depois, a irritação e impaciência tomaram conta dele, o qual entrou em contato com a pizzaria para reclamar. O atendente informou que o motoboy saíra para entregar o pedido, mas que ainda não havia retornado.

- Ok. Vou esperar mais dez minutos e, se não chegar, irei cancelar o pedido – disse Mathias que, após dez minutos exatos, ligou novamente na pizzaria. O fato estranho é que, desta vez, ninguém atendeu à ligação. Ao observar o relógio, viu que passava das onze horas da noite e, provavelmente, a pizzaria já havia fechado, sem lhe dar nenhuma satisfação.

Desapontado de não poder saborear o jantar, o jovem resolveu fazer um macarrão instantâneo com alguns incrementos para saciar sua fome. Cansado e de barriga cheia, Mathias apagou as luzes do apartamento e sentou-se no sofá para descansar. O apartamento estava totalmente no escuro e somente a luminosidade da TV clareava a sala, com isso, não demorou em adormecer ali mesmo, no sofá de sua sala.

Durante a madrugada, Mathias acordou assustado, desligou a TV, cujos programas ainda abordavam o tema dos ataques, e seguiu para seu quarto. Percebeu certa movimentação na rua, estranha para o horário, mas não deu atenção já que seu único desejo era cair na cama, sem ter hora para acordar.

O dia havia acabado de amanhecer quando Mathias acordou com o som de um tiro vindo da rua. Rapidamente, o jovem levantou-se e correu para a janela a fim de observar o que se passava do lado de fora. A cena que presenciou lhe deu arrepios: um verdadeiro caos ocorria na rua de seu prédio. Pessoas correndo e ensanguentadas, carros em alta velocidade por todo lado, um verdadeiro pandemônio. Mathias identificou de onde vinha o som dos disparos e observou um policial defendendo duas garotas de um pequeno grupo de pessoas, cerca de cinco ou seis indivíduos, os quais não se abalavam com os tiros.

No ataque, somente uma pessoa caiu morta e aquela visão o atormentava e ele não conseguia entender como aquelas pessoas não morriam com a quantidade de tiros que recebiam.

O primeiro pensamento que brotou em sua mente foi entrar em contato com o porteiro do prédio para verificar o que estava acontecendo. O jovem correu ao interfone e ligou para a portaria, entretanto, ninguém atendeu às ligações. Apavorado, Mathias voltou à janela para continuar observando o tumulto ao lado de fora e outra cena aterrorizante assolou sua visão. O policial e uma das garotas, que tentavam se defender, estavam sendo atacados pelas pessoas com mordidas ferozes.

- Meu Deus! O que está acontecendo? – sussurrou.

Um estalo brotou novamente em sua mente e Mathias correu para o telefone para entrar em contato com sua mãe. Após três tentativas sem sucesso, ele desistiu com uma enorme preocupação apertando seu peito. Novamente, o jovem se dirigiu ao interfone, mas não foi atendido.

- O que eu faço...? O que eu faço...? O que eu faço? – perguntava-se repetidamente, sentado em seu sofá, ouvindo os gritos que vinham da rua. Ligando a TV, Mathias passava pelos canais e todos só abordavam o tema dos ataques canibais. A opinião sobre ser um formato de protesto já havia sido descartada e a principal hipótese era um surto de raiva, porém ninguém possuía certeza.

Tentando entrar em contato novamente com sua mãe, Mathias se desesperava com a falta de comunicação. Na internet, os ataques também eram os únicos assuntos comentados e as pessoas estavam em pânico com o surto. Havia fotos dos corpos mutilados pelas ruas, vídeos de ataques e até uma repórter que fora atacada por estas pessoas raivosas ao vivo durante a madrugada.

Ele pegou o celular jogado sobre a mesa central de sua sala e viu diversas ligações de sua namorada, lembrando que havia deixado o aparelho no modo vibra-call antes de dormir, justamente para não ser incomodado por ninguém. No mesmo instante, o jovem contador discou rapidamente os números, mas apenas ouviu uma mensagem de sua operadora.

“No momento, estamos com nossos servidores congestionados. Por gentileza, tente novamente mais tarde”.

Esperando apenas meio minuto, Mathias tentou novamente e, como pressentia, a mensagem repetiu-se.

Buscando coragem no fundo de sua alma, ele pensava em sair de sua zona de conforto, ou seja, de seu apartamento. O jovem caminhou até a janela novamente e observou que o tumulto em sua rua havia diminuído e apenas uma ou outra pessoa caminhava por ali como se estivessem sem rumo. Também observou que o portão de entrada de seu prédio estava aberto e, provavelmente, algo teria acontecido ao seu Zé, o porteiro.

Decidido, porém com pouca coragem, caminhou lentamente em direção à porta, olhou pelo olho mágico e analisou o corredor, concluindo que ninguém estava por perto. Tentando não fazer barulho, destrancou a porta e abriu bem devagar para que não rangesse.

Caminhando pelo corredor, o silêncio dominava o local como se realmente ninguém estivesse próximo. Mathias apertou o botão do elevador e aguardou seu transporte, que estava no térreo e teria que subir até o penúltimo andar. Assim que o elevador abriu suas portas, o jovem se assustou com marcas de sangue nas paredes e entendeu que alguma coisa horrível acontecera ali. Ponderando se devia entrar ou não, deu um passo involuntário e, quando percebeu,  já havia apertado o botão para descer ao térreo.

- Seja o que Deus quiser – cochichou enquanto fazia uma curta oração.

Assim que as portas se abriram, Mathias deparou-se com o porteiro Zé de costas para o elevador. O homem estava com marcas de sangue pelas roupas, curvado e com uma ferida notável no pescoço e outra próxima à mão esquerda. Além do estado de praticamente transe que o porteiro se encontrava, ele grunhia como se fosse um animal selvagem sendo ameaçado. Mesmo com medo, Mathias resolveu chamá-lo.

- Zé?... Você está bem? – indagou, dando um passo à frente para segurar a porta do elevador prestes a fechar.

– O que está acontecendo lá fora?

O porteiro permanecia parado, tremendo como se estivesse congelando.

– Aquelas pessoas loucas entraram aqui? – perguntou, sem obter nenhuma resposta.

Zé, finalmente, mexeu seu corpo, como se somente naquele momento tivesse notado a presença de Mathias, virando lentamente, aparentando muita dificuldade. Ao ficar totalmente de frente para o jovem, este pôde visualizar a coisa mais nojenta que viu em toda sua vida. O pobre porteiro estava com a barriga dilacerada, os órgãos expostos, mordidas no pescoço e pelos braços. Seus olhos estavam amarelados e a boca repleta de sangue que espumava conforme ele grunhia.

Com o impacto da visão grotesca a sua frente, o jovem tomou um impulso involuntário para trás e acabou caindo. Zé começou a caminhar em sua direção, gemendo e rugindo como um animal prestes a atacá-lo. As portas do elevador começaram a se fechar e, por muito pouco, não impediram a entrada de Mathias. O braço do porteiro ficou preso na porta do elevador, porém o jovem estava paralisado e não conseguiu tomar atitude alguma.

Alguém do lado de fora nocauteou o porteiro e o puxou, para que a porta pudesse se fechar. Dentro do elevador sozinho, Mathias não acreditava no que estava acontecendo e, ao lembrar-se do estado do porteiro Zé, não conseguiu segurar a náusea e vomitou ali mesmo, dentro do elevador.

A porta se abriu e ele pulou para fora, se sentindo paranoico a procurar outro sinal de perigo. Ele caminhou apressado para seu apartamento, onde concluiu ser o lugar mais seguro no momento. Antes de fechar a porta, ouviu a voz de um homem.

- Espera, por favor! – dizia o homem em tom alto.

Mesmo com o pedido, Mathias fechou a porta e trancou-a para impedir que o estranho entrasse em sua casa. Do lado de fora, o homem suplicava por ajuda e pedia, aos berros, que o deixasse entrar.

- Por favor – suplicava – eles estão chegando! – gritava em pânico.

A consciência do jovem pesou ao ouvir o estranho lutando ao lado de fora com os insanos que tentavam atacá-lo. Então, resolveu abrir a porta e viu três pessoas tentando atacar o tal homem. Uma delas estava caída no chão e Mathias logo a reconheceu: seu porteiro. Havia também uma mulher ensanguentada e um jovem beirando a adolescência. O homem conseguiu empurrar a mulher pelas escadas de tal forma que foi possível ouvir seu corpo rolando pelos degraus.

O porteiro levantou-se e caminhou rapidamente em direção a Mathias que, catatônico, só conseguia mover-se para trás até encostar-se a sua janela. Zé, totalmente descontrolado, avançou no jovem, o qual só desviou do louco, que com o impulso despencou pela janela.

Nesse momento, o homem entrou apressado no apartamento de Mathias, fechando a porta e a trancando. Com o alivio expresso em seu rosto, deslizou encostado de costas para a porta e permaneceu sentado.

Mathias, ainda em choque, conseguiu caminhar até o sofá e se sentar, refletindo sobre tudo o que acabará de acontecer. Os dois homens se olharam e o jovem analisou seu novo hóspede. Um homem com aproximadamente 40 anos, alto, careca, com origem latina, forte como se fosse um adepto fiel de academia.

- Meu nome é Jorge e seria um prazer te conhecer se não fosse nessa situação – disse o homem apresentando-se.

- Meu nome é Mathias e digo o mesmo – respondeu e continuou – o que esta acontecendo lá fora? – indagou.

- O inferno – Jorge respondeu friamente.

- Não consigo falar com a minha mãe, nem com minha namorada – desabafou Mathias com profundo tom de preocupação.

- Os celulares não estão funcionando. O melhor meio é a internet – orientou Jorge.

- Preciso encontrar minha mãe. Ela mora a algumas ruas daqui - disse Mathias.

- O que você acabou de ver no corredor não é nada próximo ao que esta acontecendo lá fora – Jorge tentava explicar a gravidade do problema – as pessoas enlouqueceram e estão atacando as outras como se fossem canibais. Os ataques são tão ferozes que as vítimas logo morrem, mas a grande questão é que não permanecem mortas – concluiu em tom drástico.


CONTINUA…




Escrito por: Mike Oliveira
Art Visual: Laís Piai | Fanpage: Nox Color
Revisão: Luara Leão + Carol Soares

Zombie Planet: O Início do Fim (Capítulo I) Zombie Planet: O Início do Fim (Capítulo I) Reviewed by MK Friend on 28.5.15 Rating: 5

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