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Por que os musicais são tão importantes para os "filhos da revolução"?


Não é de hoje que os musicais fazem sucesso e estouram bilheterias dos cinemas, mas, para uma geração a qual vê apenas o seu lado do problema, as lições e problemáticas apresentadas por esses filmes, os quais discutem os mais variados assuntos de forma, às vezes, sutil por meio de músicas, são essenciais.

Filmes como Os Miseráveis que mostram a pobreza, a prostituição e a revolução de uma forma tocante e realista, sem maquiagens midiáticas e meias verdades, tiram esses jovens da bolha escola-academia-facebook, mostrando que nem sempre aquele homem que te pediu uma moeda na rua quer usá-la para comprar drogas ou é uma pessoa preguiçosa. A história dicotômica de justiça e crime de Jean Valjean demonstra que bandido bom NÃO é bandido morto e que todos têm uma história, a qual justifica ou não seus atos.

Também nesse musical, a revolução e o abuso de governos absolutistas nos são mostrados pela ótica dos revolucionários, nos fazendo simpatizar com a causa e ver como somos, de fato, os "filhos da revolução" contra a ditadura, a favor das caras pintadas, do feminismo e tantos outros benefícios que recebemos pela luta de nossos pais e avós.

Outro filme extremamente social desse gênero é Rock Of Ages, que, além da trilha sonora repleta de sucessos de rock, mostra a luta entre conservadores e revolucionários nos Estados Unidos dos anos 80. No meio da efervescência do rock 'n' roll, um político corrupto e sua esposa hipocritamente religiosa se juntam a uma igreja para destruírem o maior antro rockeiro do país: The Bourbon. Com críticas à homofobia, ao fanatismo religioso, à corrupção política e à imensa hipocrisia, o longa nos faz refletir sobre assuntos atuais enquanto cantamos nossos clássicos favoritos.

Agora, não um filme, mas uma série: Glee, que terminou esse ano, trata dos problemas mais comuns na adolescência de forma positiva, emocionante e divertida ao falar de homofobia, gravidez precoce, sexo e até morte. A forma com que o seriado nos apresenta esses temas chega a ser educativa e reconfortante para quem passa pelos mesmos problemas e até para quem nunca teve essas experiências, mostrando a beleza única em todos e acabando com qualquer tipo de preconceito.

Um dos mais famosos filmes musicais de todos os tempos, Grease: Nos Templos da Brilhantina, retrata bullying, sexo, gravidez e até machismo de uma forma reflexiva e pelos olhos de quem sofre, alertando sobre esses problemas entre os jovens, de uma maneira mais leve envolvendo músicas contagiantes e danças divertidas.

A Bela e A Fera, animação famosíssima da Disney, ensina uma lição valiosa sem ser clichê: a beleza interior. O amor de Bela por um monstro e seu interesse em conhecê-lo melhor, quando ninguém sequer lhe dá uma chance, é uma lição para todas as idades, mas importantíssima para essa geração, a qual cresceu com o modelo de beleza, tanto feminina quanto masculina, imposto pela mídia tão presente na vida atual.

E o mais recente clássico Frozen: Uma Aventura Congelante, o qual ensina que não, mulheres não precisam de um homem para terem seu final feliz e sim, podem ser heroínas e rainhas e poderosas, uma lição feminista necessária em um mundo que ainda mostra severos sinais do machismo e do "nosso passado de absurdos gloriosos" da sociedade patriarcal. Outra joia do longa é a metáfora para a intensa depressão sentida por Elsa por ser diferente, pela morte dos pais e por ter ferido a irmã, sem poder assumir quem realmente é.

Dito isso, vemos que nós, que vivemos em uma sociedade cada mais individualista, com a participação presente da mídia e, muitas vezes, sem vontade de lutar pelos direitos, precisamos dessa mostra crescente de ideais os quais nos fazem pensar nos problemas dos outros, sem olhar para nossos próprios umbigos por pelo menos uma hora e meia, enquanto mergulhamos nessa realismo ficcional do cinema. Alguns problemas que alguns de nós nunca viveram, como fome e homofobia, são escancarados para vermos o sofrimento de quem está ao lado no ônibus, na escola, na padaria, sem julgarmos antes de conhecer e tentando despertar alguma compaixão em corações cada vez mais gelados e solitários, a fim de que todos, e não só alguns, tenham o direito de ver todos esses filmes, o dinheiro para comprar o pão de cada dia e a dignidade, a qual, agora, é só teórica.
 
Por que os musicais são tão importantes para os "filhos da revolução"? Por que os musicais são tão importantes para os "filhos da revolução"? Reviewed by Carolina Soares on 27.5.15 Rating: 5

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