Header AD

Review: 'O Teorema Katherine', de John Green


"Ele se pegou pensando que, talvez, as histórias não apenas façam com que tenhamos importância um para o outro - talvez, elas sejam também o único passaporte para a importância infinita que ele vinha perseguindo há tanto tempo."

Em O Teorema Katherine, John Green reflete sobre relacionamentos, amor, vida e a própria arte de escrever, com uma pitada de uma matemática inusitadamente prazerosa e suas palavras poéticas que já nos são de direito.

O protagonista é Colin Singleton, um menino prodígio. Um menino prodígio obcecado por ser lembrado, por ser importante. Um menino prodígio que havia namorado dezenove Katherines (todas exatamente com a mesma grafia), as quais, quase invariavelmente, haviam terminado com ele.

A premissa em si, como já esperamos de Green, é extraordinária, talvez pelo fato de as Katherines serem uma coincidência (ou talvez nem tanto assim), mas, ao decorrer da narrativa, mesmo os mais avessos à matemática, como quem vos fala, consegue se deleitar com a absurda capacidade que Colin tem em nos fazer torcer por ele. E torcemos muito.

Desde o início, a construção dos personagens se mostram dignas do autor. Nada é o que parece. Como evidenciado em Lindsay Lee Wells, caipira, moradora de Gutshot (TN), paramédica em treinamento e leitora de Celebrity Living.  A profundidade revelada pela personagem, seja nas conversas da caverna, seja nos hábitos secretos, nos dão uma lição sobre aparências.

A visão de religião, tão presente de Quem é você, Alasca?, se manifesta principalmente em Hassan, um muçulmano, que não segue sua religião à risca, mas faz o que quase todo mundo tem vontade de fazer: seguir somente o que faz sentido. O personagem, além de ser um enorme alívio cômico, possui a característica de não fazer absolutamente nada sem se importar, o que acaba por fazê-lo evoluir no decorrer da história.

Colin e Hassan partem em uma viagem de carro para que o primeiro esqueça a Katherine XIX e acabam chegando em Gutshot, conhecendo Lindsay e arranjando um emprego de entrevistar todos os moradores da cidade.

A mãe de Lindsay, Hollis, também engana na aparência. Desde o início da história a vemos como uma mulher, apesar de simpática e boa gente, materialista, dona de uma mansão enorme e uma perturbadora coleção de objetos cor-de-rosa. Entretanto, com o decorrer do livro, vemos que ela se importa com muito mais gente do que apenas si mesma, revelando um segredo sobre a fábrica-que-produz-cordinhas-de-absorventes-internos.

Até os personagens secundários, como OOC, BMT, JAD e Katrina conseguem notoriedade na trama por serem construídos como de papel, assim como no livro Cidades de Papel, do mesmo autor.

O enredo é instigante; as notas de rodapé geniais e hilárias e, ao contrário do que Hassan diz, todos os fatos ditos no livro são interessantíssimos.

Com anagramas geniais, John Green, mais uma vez, constrói uma história extraordinária de uma forma que só ele conseguiria conduzir.
Review: 'O Teorema Katherine', de John Green Review: 'O Teorema Katherine', de John Green Reviewed by Carolina Soares on 1.3.15 Rating: 5

Post AD