Header AD

Leitura de Cabeceira: Clássicos da Literatura - Indianismo


Bem Vindos meus queridos leitores para o primeiro 'Clássicos da Leitura' na coluna 'Leitura de Cabeceira', bem como diz o nome em alguns domingos não necessariamente seguidos, eu vou falar sobre algum clássico da literatura, contudo não só brasileiro, mas da literatura mundial.

Dessa vez vamos começar com um gênero da literatura brasileira para homenagear o Brasil já que estamos em uma semana de feriado por conta do Carnaval. Vou começar com o gênero Indianismo, pois segundo os carnavalescos as mulheres que desfilam podem circular sem quase roupa nenhuma por conta de uma homenagem aos índios (Se eles dizem né...).

O Indianismo é uma fase de três escolas literárias o Romantismo, Arcadismo e Barroco e representa à idealização do indígena, por vezes retratado como um mítico herói nacional, simbolizando a pureza, a inocência do homem não corrompido pela sociedade.

Na Europa, o Romantismo foi buscar seu herói nos cavaleiros medievais. No Brasil, o herói cavaleiro não poderia existir, pois não houve Idade Média; os portugueses também não poderiam ser os heróis, pois o Brasil acabara de conquistar sua independência, mantendo, por essa razão, ressentimentos em relação aos portugueses; muito menos os negros, vindos da África, pois o pensamento da época não permitia isso. Restaram os índios, a população que habitava o país antes da conquista europeia.

Principais Autores:
  • Padre José de Anchieta
  • Basílio da Gama
  • José de Alencar
  • Gonçalves Dias

Fases do Indianismo e Suas Obras Respectivas

  • Indianismo Barroco - Padre José de Anchieta;
  • Indianismo Arcádico - O Uraguai
  • Indianismo Romântico - O Guarani, Iracema e Ubirajara
  • Indianismo Gonçalvino - I-Juca-Pirama, Marabá e Os Timbiras

Trecho do Poema I-Juca Pirama:

IV

Meu canto de morte, 
Guerreiros, ouvi: 
Sou filho das selvas, 
Nas selvas cresci; 
Guerreiros, descendo 
Da tribo tupi.
Da tribo pujante, 
Que agora anda errante 
Por fado inconstante, 
Guerreiros, nasci; 
Sou bravo, sou forte, 
Sou filho do Norte; 
Meu canto de morte, 
Guerreiros, ouvi.
Já vi cruas brigas, 
De tribos imigas, 
E as duras fadigas 
Da guerra provei; 
Nas ondas mendaces 
Senti pelas faces 
Os silvos fugaces 
Dos ventos que amei.
Andei longes terras 
Lidei cruas guerras, 
Vaguei pelas serras 
Dos vis Aimoréis; 
Vi lutas de bravos, 
Vi fortes - escravos! 
De estranhos ignavos 
Calcados aos pés.
E os campos talados, 
E os arcos quebrados, 
E os piagas coitados 
Já sem maracás; 
E os meigos cantores, 
Servindo a senhores, 
Que vinham traidores, 
Com mostras de paz.
Aos golpes do imigo, 
Meu último amigo, 
Sem lar, sem abrigo 
Caiu junto a mi! 
Com plácido rosto, 
Sereno e composto, 
O acerbo desgosto 
Comigo sofri.
Meu pai a meu lado 
Já cego e quebrado, 
De penas ralado, 
Firmava-se em mi: 
Nós ambos, mesquinhos, 
Por ínvios caminhos, 
Cobertos d’espinhos 
Chegamos aqui!
O velho no entanto 
Sofrendo já tanto 
De fome e quebranto, 
Só qu’ria morrer! 
Não mais me contenho, 
Nas matas me embrenho, 
Das frechas que tenho 
Me quero valer.
Então, forasteiro, 
Caí prisioneiro 
De um troço guerreiro 
Com que me encontrei: 
O cru dessossêgo 
Do pai fraco e cego, 
Enquanto não chego 
Qual seja, - dizei!
Eu era o seu guia 
Na noite sombria, 
A só alegria 
Que Deus lhe deixou: 
Em mim se apoiava, 
Em mim se firmava, 
Em mim descansava, 
Que filho lhe sou.
Ao velho coitado 
De penas ralado, 
Já cego e quebrado, 
Que resta? - Morrer. 
Enquanto descreve 
O giro tão breve 
Da vida que teve, 
Deixai-me viver!
Não vil, não ignavo, 
Mas forte, mas bravo, 
Serei vosso escravo: 
Aqui virei ter. 
Guerreiros, não coro 
Do pranto que choro: 
Se a vida deploro, 
Também sei morrer.
Leitura de Cabeceira: Clássicos da Literatura - Indianismo Leitura de Cabeceira: Clássicos da Literatura - Indianismo Reviewed by Luara Moraes Leão on 15.2.15 Rating: 5

Nenhum comentário

Post AD